• Significado de “céu” no Novo Testamento

    O Novo Testamento emprega muitas vezes o vocábulo “céu” em muitos contextos. Nesse estudo, traduzimos o comentário de uma das obras de teologia do NT mais renomadas atualmente, The Dictionary of Jesus and the Gospels [O Dicionário de Jesus e os Evangelhos], para falar sobre o assunto [...]

  • Antropologia do Novo Testamento

    O lugar das pessoas na atividade de criação de Deus é comparado a seu lugar na Sua atividade de redenção. O Novo Testamento insiste em que as pessoas não tinham aceitado a responsabilidade dada em Gênesis 1:29-30. É igualmente insistente que a alta estima de Deus para com o homem não diminuiu [...]

  • Significado de GEENA na Bíblia

    GEENA. A forma Gr. do Heb. gē–hinnom, “”vale de Hinom” (Jos. 15:8; 18:16); também chamado Topheth (II Rs 23:10). A forma Gaienna ocorre na LXX em Jos. 18:16b. A palavra é usada como nome metafórico do lugar de tormento dos ímpios, após o julgamento final [...]

segunda-feira, 20 de abril de 2015




Interpretação de Gênesis 3
B. A Tentação e a Queda. 3:1-24.

GÊNESIS, 3, INTERPRETAÇÃO
O autor do Gênesis faz aqui uma lista dos passos que levaram à entrada do pecado nos corações daqueles indivíduos divinamente criados, que começaram suas vidas com corações tão puros e tantas promessas. A desobediência e o pecado obscureceram o quadro. Embora estes seres fossem moralmente honestos, receberam o poder da escolha; e estavam sujeitos ao poder do tentador a qualquer momento. Por isso o teste foi inevitável. O jardim era uma criação primorosa, cheia de provisões abundantes. O meio ambiente do homem nada deixava a desejar. Uma proibição, contudo, fora feita ao homem e à mulher. Todas as árvores, arbustos e guloseimas seriam deles, com exceção do fruto da "árvore do conhecimento do bem e do mal". Esta proibição parece que formou a atmosfera na qual as mentes humanas acolheram o apelo do tentador.
1. A serpente (neiheish). A narrativa apresenta o sedutor como um dos animais, que era muito mais sagaz do que os outros. A palavra hebraica contém a idéia de astúcia excepcional. (As lendas rabínicas dizem que a serpente andava ereta.) Ela tinha o poder de falar e falava livremente com sua vítima. Ela era ardilosa, insidiosa, maliciosa. Mais tarde a exegese identificará a serpente com Satanás ou o diabo. À luz de verdades bíblicas posteriores, estamos justificados em concluir que a serpente foi um instrumento especialmente escolhido por Satanás para este teste.
Em Ap. 12:9 o tentador é chamado de "o grande dragão, a velha serpente, chamada o diabo e Satanás" (cons. Milton, Paradise Lost, Livro IX). A palavra neiheish, que significa sibilante, sem dúvida se refere à espécie de ser que conhecemos como a serpente. Paulo declara que Satanás mascara-se de "anjo de luz" (II Co. 11:14). Ele escolheu o animal mais malicioso, mais sutil, mais cauteloso e controlou-o inteiramente para executar sua tarefa desastrosa. Jesus disse referindo-se a Satanás: "É mentiroso, e pai da mentira" (Jo. 8:44, cons. Rm. 16:20; II Co. 11:3; I Tm. 2:14; Ap. 20: 2).
O método de engano que a serpente usou com Eva foi o de distorcer o significado da proibição de Deus e então ridicularizá-la em sua nova forma. O tentador fingiu surpresa diante de tal ordem vinda de Deus. Então procurou abalar a fé da mulher semeando em sua mente dúvidas, suspeitas e falsos quadros do Todo-poderoso e seus motivos. Foi uma tentativa deliberada de desacreditar a Deus. Quando a fé falha, o firme fundamento da conduta moral entra em colapso. Só falta um pequenino passo da incredulidade para o pecado e a desgraça.
2:3. Respondeu-lhe a mulher. Conversar com o tentador sempre é perigoso. Inconsciente, a mulher estava revelando um desejo de entrar num acordo com o tentador. Ela não tinha a vantagem das palavras usadas por Jesus em Mt. 4:10 e a advertência de Tg. 4:7. Ela era inocente, ingênua e confiante; não servia de parceiro para o ardiloso antagonista. Ela não quis ficar de lado e ver Deus sendo deturpado; então tentou corajosamente corrigir a declaração da serpente. Mas citou a proibição de Deus de maneira errada, acrescentando a palavra tocareis.
5. Como Deus, sereis. Agora que Eva entrara na conversa, o sedutor avançou com seu argumento mais poderoso. Mais do que depressa ele deu a entender que o grande desejo do homem de ser igual a Deus foi deliberadamente frustrado por ordem divina. Ele acusou o Criador de egoísmo e falsidade maliciosa, apresentando-O como se tivesse inveja e não desejasse que Suas criaturas tivessem algo que as tornasse iguais ao Onisciente. (A palavra 'Elohim pode ser traduzida para Deus ou deuses, uma vez que se encontra no plural. A primeira forma é a preferida.)
6. Vendo a mulher... tomou... comeu, e deu. Os fortes verbos contam a história de maneira viva e clara. Algo aconteceu no raciocínio da mulher. Gradualmente o fruto tomou novo significado. Era atraente aos olhos, de bom paladar, e poderoso para conceder nova sabedoria. Ela deu mais um passo no campo da auto-decepção. Além de querer provar o alimento que era delicioso e atraente, queria também o poder. Ela cria que este fruto poderia satisfazer todos os seus desejos. O próximo passo foi automático e imediato. Tomou... comeu. O tentador já não era mais necessário a partir desse momento. Eva assumiu a tarefa de apresentar o bem recomendado fruto a seu marido, e ele comeu.
7. Abriram-se... os olhos (peikah)... percebendo. A palavra peikah descreve um súbito milagre. A promessa do tentador cumpriu-se imediatamente; receberam percepção instantânea. Viram e perceberam. Mas o que viram foi muito diferente do quadro colorido pintado pela serpente. Houve um rude despertar da consciência. Viram a sua nudez, espiritual e física. Nasceu a vergonha e o medo. Quando Adão e Eva perceberam que tinham perdido o contato com Deus, uma terrível solidão apossou-se deles. Seguiram-se o remorso e suas inevitáveis misérias. Sua falta de fé sujeitou-os a todos infortúnios resultantes. Apressadamente fizeram para si cintas ou aventais para fornecer algum tipo de ocultamento, segundo seu parecer, para o seu medo, solidão e complexo de culpa.
8. A voz do Senhor Deus... pela viração do dia. (Kol, "voz" é, lit., som; lerûah, "viração", é vento ou brisa.) Podiam esconder-se de Deus, mas não podiam escapar dEle. O amoroso Criador não passaria por cima de sua desobediência, nem abandonaria pecadores trêmulos dentro de sua pungente necessidade. Eles eram Seus. Sua santidade tinha de vir revestida de amor, para buscá-los, encontrá-los e julgá-los. Comumente a aproximação de Deus lhes trazia alegria. Agora, terror e pavor os paralisaram, embora o Senhor não se aproximasse deles com trovões nem os chamasse asperamente.
9. É fácil imaginar-se a doçura da voz divina, quando ecoou através das árvores, na quietude da tarde, chamando: "Onde estás?" É claro que Deus sabia onde estavam o homem e a mulher. Mas apelava para eles, procurando com ternura e amor obter uma reação favorável. E procurou levar os transgressores gentilmente até a plena convicção dos seus pecados. Embora a Justiça estivesse ditando o procedimento, a Misericórdia eram quem dirigia. O Juiz daria a decisão e pronunciaria a sentença.
12. A mulher... me deu da árvore, e eu comi. As perguntas divinas foram diretas e incomumente específicas. Em vez de confessar abertamente, rogando por misericórdia, Adão e Eva começaram a apresentar desculpas, passando a responsabilidade de um para o outro. O homem um tanto temerariamente jogou parte da culpa sobre Deus - que (tu) me deste.
13. A mulher, recusando assumir a responsabilidade, jogou-a toda sobre a serpente. A serpente não tinha modos de passá-la adiante. Enganou (hish-shiani). O verbo carrega a idéia de engano (cons. o uso que Paulo faz do conceito em II Co. 11:3 ; I Tm. 2:14).
14. Maldita ('eirur) és. O Senhor destacou a origem e a instigação da tentação para condenação e degradação incomuns. Daquele momento em diante passou a rastejar no pó e até alimentar-se dele. Rastejaria pela vida afora na desgraça, e o ódio seria a sua porção vindo de todas as direções. Muitos a considerariam para sempre como o símbolo da degradação daquele que tinha injuriado a Deus (cons. Is. 65:25). Além de representar a raça da serpente, também representaria o poder do reino do mal. Enquanto houvesse vida, os homens a odiariam e procurariam destruí-la.
15. Porei inimizade. A palavra 'ebé indica a inimizade feudal profundamente enraizada no coração do homem (cons. Nm. 35:19, 20; Ez. 25:15-17; 35:5, 6). Tu lhe ferirás (shup). Profecia de luta contínua entre os descendentes da mulher e os da serpente para se destruírem mutuamente. O verbo shup é raro (cons. Jó 9:17; Sl. 139:11). É o mesmo em ambas as cláusulas. Quando traduzido para esmagar, parece apropriado para a referência relativa à cabeça da serpente, mas não tão exato ao descrever o ataque da Serpente ao calcanhar do homem. Também foi traduzido para espreitar, mirar ou (LXX) vigiar. A Vulgata o traduz para conteret, "ferir", no primeiro exemplo, e insidiaberis, "espreitar" na segunda cláusula. Assim, temos nesta famosa passagem, chamada protevangelium, "primeiro evangelho", o anúncio de uma luta prolongada, antagonismo perpétuo, feridas de ambos os lados, e vitória final para a semente da mulher. A promessa de Deus de que a cabeça da serpente seria esmagada apontava para a vinda do Messias e a vitória garantida. Esta certeza entrou pelos ouvidos das primeiras criaturas de Deus como uma bendita esperança de redenção. Uma tradução infeliz da Vulgata muda o pronome lhe (dele, v. 15c) para o feminino, fornecendo apoio espúrio para as reivindicações infundadas relativas à "Bendita Virgem Maria".
16. E à mulher disse. Para a mulher, Deus predisse sujeição ao homem, e sofrimento. Gravidez e parto seriam acompanhadas de dores. A palavra 'asvon descreve dores físicas e mentais. Eva realizaria seus anseios e desejos femininos, mas não sem agonia. Em outras palavras, como esposa e mãe, estaria sujeita à disciplina de Jeová. O amor da mulher e o governo masculino, ambos estão apresentados na viva descrição. Não podemos compreender inteiramente a natureza de tais juízos do Senhor.
17. E a Adão disse. Dificuldades físicas, labuta árdua, aborrecimentos frustrantes e luta violenta foram concedidas por quinhão ao homem, que foi definitivamente julgado pecador culpado. Antes disso a terra produzia facilmente e livremente para o homem, com grande abundância. Adão tinha, antes, apenas de "cultivar" o jardim (2:15) a fim de desfrutar de sua abundante produção. Mas agora Deus pronunciou uma maldição especial sobre o solo. Dali para frente produziria suas colheitas com relutância. O homem teria de trabalhar muito cultivando o solo a fira de que produzisse o necessário para a vida. E ele teria de lutar com espinhos e ervas daninhas que antes não se destacavam. Trabalho enfadonho, dificuldades e canseira seriam o seu quinhão diário. Para Adão, como também para Eva, o pecado cobrou pesado tributo.
20. Eva (hauuâ). A palavra hebraica relaciona-se com a vida, e o verbo ao qual está ligada fala da vida. Toda a vida originou-se da primeira mulher. Ela foi a mãe de todas as pessoas e, portanto, a mãe de cada clã e cada povo. De acordo com o propósito divino, a vida deve continuar, ainda que a sentença de morte tenha sido declarada – e ao pó tornarás (v. 19).
22-24a. O Senhor...o lançou (geirash) fora. Um ato necessário e misericordioso. O Senhor não permitiria que o homem rebelde tivesse acesso à árvore da vida. Com cuidado amoroso afastou Adão e Eva do fruto que os tomariam imortais, perpetuando assim, a terrível condição para a qual o pecado os levara. Do agradável jardim foram expulsos para o deserto inamistoso.
24b. Querubins... e o refulgir de uma espada. Rashi, o intérprete hebreu, declarou que esses instrumentos foram "anjos da destruição", com o propósito de destruir qualquer um que procurasse entrar. A palavra hebraica kerubim indica figuras divinamente formadas para servirem como mensageiros da divindade ou como guardiões especiais das coisas sagradas. Em um exemplo eles são mostrados sustentando o trono sobre o qual Deus está assentado. Em outro, foram usados para descrever a terrível inacessibilidade de Jeová. Em geral, sua função parece ser a de guardar a sagrada habitação de Deus contra a usurpação e a contaminação. A árvore da vida estava perfeitamente segura com os querubins a guardá-la no portão. E o homem pecador estava perfeitamente seguro do perigo que adviria se não tivesse o majestoso protetor.
24c. O refulgir de uma espada que se revolvia (mithhapeket). O caminho de volta ao Éden estava guardado não só pelos querubins mas também por uma espada refulgente que se revolvia. Isso servia de garantia de que o homem não tentaria se aproximar da árvore da vida. Embora o paraíso do homem lhe fosse fechado por causa do pecado, Jeová não se esqueceu de Suas criaturas. Ele já fizera provisões para a sua triunfante volta.


Interpretação de Gênesis 2
GÊNESIS, 2, INTERPRETAÇÃO
2:1,2. Acabados (keilâh)... descansou (sheibat)... santificou (keidash). Quando o Criador pronunciou Sua aprovação sobre tudo o que tinha feito, inclusive o homem, a coroa da criação, declarou a conclusão da obra. No momento não daria início a mais nada. Entretanto, Ele santificou um dia de completo descanso. A palavra hebraica, sheibat, pode ser traduzida para "desistiu" ou "cessou" ou "interrompeu". Durante este período até Deus descansaria das atividades criadoras (cons. Êx. 20:11; 31:17).
3. O dia sétimo foi separado para ser santificado e respeitado através dos anos como um lembrete de que Deus designou uma estação de descanso, refrigério e completa cessação de todo trabalho ordinário, labuta e luta.
4. Esta é a gênese (tôledôt). A palavra hebraica vem de um verbo significando procriar ou gerar filhos. Poderia ser traduzido para "gerações". Esta declaração pode ser uma referência a Gênesis 1. A LXX traduz assim: Este é o Livro do Gênesis. Alguns o traduziriam para: A história dos céus e da terra. A descendência do céu e da terra foi assim descrita.
O Senhor Deus (Jeová). Pela primeira vez apresenta-se o nome Yahweh, ou Jeová (cons. Êx. 6:2,3). Jeová é o Deus da aliança pessoal com Israel, que é ao mesmo tempo o Deus do céu e da terra. O nome transporta a idéia de auto-existência eterna do Autor de toda a existência. É a expressão da amorosa benignidade, graça, misericórdia, autoridade e eterno relacionamento de Deus com os seus escolhidos que foram criados à Sua imagem. O relacionamento especial de Jeová com Israel seria descrito mais detalhadamente quando Ele aparecesse na sarça ardente perto do Sinai. Aqui o Autor da vida está identificado com o divino Criador de Gênesis 1.
6. Uma neblina subia... e regava. A fim de preparar o solo para a realização de Sua tarefa, o Criador forneceu a umidade. A tradução costumeira refere-se a um chuvisqueiro, ou neblina. É possível que a palavra traduzida para neblina na E.R.A. (id) poderia ser traduzida para "rio" ou "correnteza". A primeira forma é a preferível. De qualquer forma, a neblina foi a maneira que Deus usou para realizar a Sua vontade em relação ao solo. Ação contínua está expressa.
7. Formou (yeiseir) o Senhor Deus ao homem do pó da terra. Novamente os dois nomes para Deus estão ligados em antecipação ao acontecimento que marcou época. A palavra yeiseir foi usada para dar a idéia de um oleiro trabalhando, moldando com suas mãos o material plástico que tinha nas mãos (cons. Jr. 18:3, 4). O mesmo verbo foi usado para descrever o quadro da formação de um povo ou nação. O corpo do homem foi feito do pó da terra, enquanto o seu espírito veio do próprio "fôlego" de Deus. Ele é, literalmente, uma criatura de dois mundos; ambos, a terra e os céus, têm direitos sobre ele. Observe as três declarações: Formou (yeiseir) Jeová ao homem do pó ... e lhe soprou (neipah) nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser (heiyeih) alma vivente. O primeiro passo foi importantíssimo, mas o pó umedecido estava longe de ser um homem até que o segundo milagre se completasse. Deus comunicou a Sua própria vida a essa massa inerte de substância que Ele já criara e lhe deu forma. O fôlego divino permeou o material e o transformou em um ser vivente. Esta estranha combinação de pó e divindade deu lugar a uma criação maravilhosa (cons. I Co. 15:47-49) feita à própria imagem de Deus. Como ser vivente, o homem estava destinado a revelar as qualidades do Doador da vida.
Esta linguagem das Escrituras não sugere que o homem tivesse semelhança física com Deus. Antes, ele foi feito semelhante a Deus nos poderes espirituais. Ele recebeu os poderes de pensar e sentir, de se comunicar com os outros, de discernir e discriminar, e, até um certo ponto de determinar o seu próprio caráter.
8. Um jardim (gan) no Éden (bi'êden). O autor apresenta Deus plantando um lindo jardim para Suas novas criaturas. A palavra significa um cercado ou um parque. A LXX usa, aqui, um termo que dá base para a nossa palavra "paraíso". O trabalho do homem neste jardim era o de exercer domínio servindo – uma boa combinação. As obrigações provavelmente eram rigorosas mas agradáveis. O Éden, ou a terra do Éden, ficava provavelmente na parte baixa do vale da Babilônia. Embora tenha se reivindicado outras localizações para o Éden, as evidências parecem apontar para o setor entre o Tigre e o Eufrates como o berço da civilização. A palavra hebraica Éden provavelmente significa "encantamento", "prazer", ou "deleite".
Neste sossegado lugar de indescritível beleza, o homem devia desfrutar da comunhão e do companheirismo do Criador, e trabalhar de acordo com o esquema divino para a realização de Sua vontade perfeita. Árvores magníficas forneciam alimento para o sustento, mas o homem teria de trabalhar para cuidar delas. Um adequado suprimento de água era fornecido por um vasto sistema de irrigação, um emaranhado de rios que brotavam dentro e à volta do jardim, dando-lhe vida. A fim de orientar o homem no pleno desenvolvimento moral e espiritual, Deus lhe deu ordens específicas e uma proibição específica para governar seu comportamento. Também lhe deu o poder de escolher e apresentou-lhe o privilégio de crescer no favor divino. Assim começou a disciplina moral do homem.
18. Uma auxiliadora que lhe seja idônea ('izer kenegdô). O inspirado autor revela indiretamente a natural solidão do homem e a sua insatisfação. Embora muito se fizesse por ele, ainda estava consciente de uma falta. O Criador não terminara ainda. Ele tinha planos de fornecer uma companheira que pudesse satisfazer os anseios incumpridos do coração do homem. Criado para a comunhão e o companheirismo, o homem só poderia desfrutar inteiramente da vida se pudesse partilhar do amor, da confiança e da devoção no íntimo círculo do relacionamento familiar. Jeová tornou possível que o homem tivesse uma auxiliadora... idônea. Literalmente, uma auxiliadora que o atenda. Ela teria de partilhar das responsabilidades do homem, corresponder à natureza dele com amor e compreensão, e cooperar de todo o coração com ele na execução do plano de Deus.
21. Fez cair (beinâ) pesado sono (tardimâ). Hoje em dia os médicos usam diversos anestésicos para produzirem sono profundo. Não sabemos que meios ou métodos o Criador usou para induzir Adão nesse pesado sono que o deixou inconsciente dos acontecimentos. Isto permanece um mistério. Certamente a misericórdia divina foi exibida neste milagre. O Eterno estava criando não apenas um outro indivíduo, mas um indivíduo novo, totalmente diferente, com outro sexo. Alguém já disse que "a mulher foi tirada não da cabeça do homem para governar sobre ele, não dos seus pés para ser pisada por ele, mas do seu lado, de sob o seu braço, para ser protegida, e de perto do seu coração, para ser amada". Na história da criação ela também está representada dependendo inteiramente de seu marido e incompleta sem ele. Do mesmo modo, o homem jamais é inteiramente completo sem a mulher. Essa é a vontade de Deus. Uma vez que a mulher foi formada do lado do homem, ela tem a obrigação de permanecer ao seu lado e de ajudá-lo. Ele tem a obrigação de lhe dar a proteção e defendê-la com o seu braço. Os dois seres formam um todo completo, a coroa da criação. O autor do Gênesis declara que Deus transformou (beinâ) a costela que tirou do homem em uma mulher. A mão que moldou o barro para fazer o corpo do homem, pegou uma parte do corpo vivo do homem e transformou-o em uma mulher.
22. E lha trouxe. Quando Deus terminou essa nova criação, Ele "a deu" em casamento ao seu marido, estabelecendo assim a eternamente significativa instituição do casamento. Uma vez que o Criador instituiu o casamento, este constitui um relacionamento sagrado do homem com a mulher, envolvendo profundo mistério e proclamando sua origem divina. O amoroso coração de Deus sem dúvida se regozijou com a instituição de um relacionamento que devia ser sublime, puro, santo e agradável para a humanidade.
23. Esta, afinal, é... carne da minha carne. O homem reconheceu nesta nova criação uma companheira divinamente criada para atender a todos os anseios do seu faminto coração para a execução da santa vontade de Deus. Varoa ('ishshâ)... varão (ish). Estas duas palavras hebraicas são muito parecidas, até mesmo no som. A única diferença entre elas é que a palavra "mulher" tem um sufixo feminino. Léxicos mais recentes declaram que estas palavras não são etimologicamente relacionadas. Não há, entretanto, nenhuma base para rejeitarmos a opinião anterior de que a palavra "mulher" vem da palavra "homem".
24. Por isso... o homem... se une (deibaq) à sua mulher. O Criador estabeleceu a base completa para o casamento monogâmico. Rashi, o grande comentador hebreu, declara que estas palavras são um comentário específico do Espírito Santo. O comentário final sobre a união de marido e mulher foi feito por nosso Senhor Jesus Cristo, quando disse: "Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher. E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mc. 10:7-9). Deus planejou que os laços matrimoniais deveriam ser terminantemente indissolúveis. Se une (deibaq) significa "colar-se a" sua esposa (sua própria esposa). A palavra "mulher" está no singular. O homem, que é o mais forte, é o que deve unir-se a ela. A esposa ficará segura ao marido, se ele exercer sobre ela o tipo de poder amoroso descrito neste versículo. "O que Deus ajuntou não o separe o homem". Esta é uma declaração antiga, mas é verdadeiramente a palavra de Deus para todos os corações da atualidade e para sempre.
Como é notável que um relacionamento tão exatamente descrito por Moisés há séculos atrás, continue enraizado na verdade eterna e no decreto divino! A santidade do casamento fundamenta-se no próprio coração das Escrituras, e ficou eternamente destacada pelo Espírito Santo, como necessidade básica. Deus quis que as criaturas feitas à Sua imagem fossem Seus vasos escolhidos para a edificação de um lar que Lhe fosse agradável. No N.T. o Espírito revela: o relacionamento divinamente estabelecido entre o homem e a mulher, baseia-se na ordem da criação; na liderança da família exercida pelo marido; na santidade eterna dos votos matrimoniais; no tipo de amor que deveria unir o esposo à esposa; e na pureza que deveria caracterizar aquelas que tipificam a Esposa por quem Cristo deu a Sua vida.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

COMENTÁRIO

Interpretação de Deuteronômio 1
I. Preâmbulo: Mediador da Aliança. 1:1-5.
DEUTERONÔMIO, INTERPRETAÇÃO
Os antigos tratados de suserania começavam com um preâmbulo no qual aquele que falava, aquele que declarava o seu senhorio, exigindo a fidelidade dos vassalos, identificava-se. O preâmbulo deuteronômico identifica aquele que fala como sendo Moisés (v. 1a), mas como o representante terreno e mediatorial do Senhor (v. 3b), o Suserano celestial e Soberano máximo desta aliança.
São estas as palavras (v. 1a). Com esta fórmula introdutória começavam os tratados extra-bíblicos. O local da cerimônia da renovação da aliança da qual o Deuteronômio testifica foi a região do Jordão na terra de Moabe (vs. 1a, 5a; cons. 4:44-46). A época foi o último mês do quadragésimo ano depois do Êxodo (v.3a), quando os homens de guerra daquela geração já tinham perecido todos (2:16), a conquista da Transjordânia já fora realizada (v. 4; 2:24 e segs.), e aproximava-se o momento da morte de Moisés. Foi especialmente esta última circunstância que ocasionou a renovação da aliança. Deus assegurava a continuidade da dinastia mediatorial exigindo de Israel um sinal de obediência a Josué, seu novo homem de confiança (cons. 31:3; 34:9), e um novo voto de consagração para com Ele mesmo.
A cerimônia foi descrita como uma declaração ou exposição desta lei (v. 5), uma vez que as estipulações ocupavam lugar tão central e extenso nas alianças de suserania. O local desta assembléia, ao que parece, foi descrita mais adiante no versículo 2b. Embora a menção de localidades desconhecidas torna a interpretação incerta, o propósito da anotação nos versículos 1b, 2 parece ter sido o de orientar a assembléia de Moabe histórica e geograficamente, indicando que foi no final da viagem do Horebe, via deserto de Arabá. Para Israel, a viagem a Canaã através dessa rota foi de quarenta anos de duração (v.3), embora a rota original pela qual seguiram a Parã era normalmente uma viagem de apenas onze dias (v. 2). Em Parã, na fronteira meridional de Canaã, contudo, Israel rebelou-se, recusando-se a entrar na terra (Nm. 12:16 e segs.), ficando assim esta geração condenada a morrer no deserto. Agora seus filhos chegaram, via o caminho de Arabá, vindos de "Sufe" (presumivelmente o Golfo de Ácaba), a leste de Canaã, através da terra de Moabe. Ambos os lados de acesso a Canaã e a extensão das peregrinações falam de uma história de violação da aliança e de herança adiada. Existe aí um interessante contraste entre o ponto de vista de Moisés na introdução do livro, olhando de Moabe para o sul e vendo o passado de fracassos e maldições, e no fim do livro, Moisés olhando para o norte de Moabe, ao terminar sua obra, vendo um futuro de realizações e bênçãos para Israel (Dt. 34:1.4).

II. Prólogo Histórico: A História da Aliança. 1:6 – 4:49.
O preâmbulo nos tratados internacionais de suserania era seguido por um resumo histórico do relacionamento entre senhor e vassalo. Era escrito em estilo primeira e segunda pessoa e procurava estabelecer a justificação histórica para o reinado contínuo do senhor. Citavam-se os benefícios alegadamente conferidos pelo Senhor ao vassalo, tendo em vista estabelecer a fidelidade do vassalo no sentido da gratidão complementar e o medo que a identificação imponente do suserano no preâmbulo tinha a intenção de produzir. Quando os tratados eram renovados, o prólogo histórico era atualizado. Todos estes aspectos formais caracterizam Dt. 1:6 - 4:49.
O prólogo histórico da Aliança do Sinai referia-se ao livramento do Egito (Êx. 20:2b). Deuteronômio começa com a cena da Aliança do Sinai e continua a história até a assembléia da renovação da aliança em Moabe, enfatizando as recentes vitórias transjordanianas. Quando, mais tarde, Josué tornou a renovar a aliança de Israel, continuou com a narrativa em seu prólogo histórico através dos acontecimentos de sua própria liderança à frente de Israel, a conquista e o estabelecimento em Canaã (Js. 24: 2-13).

A. De Horebe a Hormá. 1:6 – 2:1.
6-8. Após um ano de acampamento na região do Sinai, onde a aliança foi ratificada e o Tabernáculo confirmado como habitação de Deus em Israel, chegou o momento de dar o próximo passo decisivo na realização das promessas feitas aos pan (vs. 6, 8b). A iniciativa no avanço contra a terra da possessão prometida foi tomada por ordem do Senhor, Entrai e possuí a terra (v. 8; cons. Nm. 10:11-13). No versículo 7b, veja Gn. 15:18 e segs.
9-18. Com a aproximação do momento de sua morte, Moisés estava preocupado em confirmar a autoridade daqueles que deviam ficar com a responsabilidade do governo depois dele. De importância primária era a sucessão de Josué, à qual ele logo se referiria (1:38; 3:21, 28), mas agora Moisés fazia Israel se lembrar da autoridade concedida a outros oficiais judiciários. veja em Êx. 18:13 e segs. a narrativa original,
10. Como as estrelas dos céus. A própria circunstância que deu origem à necessidade desses ajudantes judiciários de Moisés, a multiplicação da semente de Abraão, era a evidência propriamente dita da fidelidade do Senhor no cumprimento de Suas promessas (Gn. 12:2; 15:5; etc.), concedendo a Israel o estímulo de avançar pela fé para tomar posse de Canaã (cons. Dt. 1:7, 8). O mediador fiel de Deus, refletindo a bondade do Senhor, orou em favor da plena realização de todas as promessas da Aliança Abraâmica (v. 11).
17. Porque o juízo é de Deus. Este motivo para a justa administração da justiça era ao mesmo tempo um lembrete da natureza teocrática do reino israelita, um lembrete de que Deus era o Senhor que renovava a aliança com eles naquele dia.
19-40. Opondo-se à fidelidade do Senhor no cumprimento da aliança (cons. 6-18) tinha havido a infidelidade e desobediência de Israel. O fato do Senhor estar renovando Sua aliança, apesar deste aspecto passado da rebeldia do vassalo, magnificava ainda mais a Sua graça e bondade (ver comentários introdutórios sobre Prólogo Histórico). O pecado particular do povo de Israel recordado na véspera de sua conquista de Canaã foi a sua recusa em avançar, quando pela primeira vez recebeu tal ordem, uns trinta e oito anos atrás. Veja em Números 13 e 14 a narrativa original. Desta vez a aproximação da terra foi feita pelo sul (Dt. 1:19). Moisés foi explícito ao avisá-los que Canaã era deles sem restrições (vs. 20, 21; cons. 7, 8; Gn. 15:16); contudo, sob as ordens do Senhor (cons. Nm. 13:1 e segs.), ele consentia na estratégia do reconhecimento da terra antes do ataque (Dt. 1:22.25 ).
26, 27a. Fostes rebeldes... murmurastes. A resposta de Israel diante do relatório dos espias foi de temor incrédulo e recusa em prosseguir.
27b. Por isso nos tirou... para... destruir-nos. A perversidade de Israel chegou ao extremo de interpretar sua eleição como uma expressão do ódio divino contra eles; Deus os livrara dos egípcios apenas para que os cananeus pudessem matá-los!
29-33. Não puderam ser dissuadidos – nem por isso crestes (v. 32) – de sua revolta declarada contra o programa da aliança do Senhor, apesar dos rogos e garantias que Moisés apresentou de ajuda paternal e sobrenatural de Deus, tais como experimentaram no Egito e no deserto.
34. Tendo, pois, ouvido o Senhor... indignou-se. Sua incredulidade provocou o veredito divino, selado por um juramento, sentenciando-os ao exílio da terra na qual recusaram-se a entrar (v. 35), exílio até a morte no deserto (v. 40).
36-38. Salvo Calebe... Josué. No aviso do julgamento havia uma manifestação da misericórdia da aliança divina, pois além de Calebe e Josué, os bons espias, seria poupada para entrar em Canaã mais tarde, toda a segunda geração de Israel (v. 39). Aí houve uma promessa de um benévolo novo começo – agora se cumprindo na renovação deuteronômica da aliança.
37. Contra mim se indignou o Senhor. A rebeldia de Israel provocou um fracasso da parte de Moisés, que deixou de cumprir devidamente a sua vocação de tipo de mediador messiânico sempre submisso à vontade do Pai (cons. 3:26; 4:21; 32:50 e segs.). Isto aconteceu no retorno a Cades, depois dos trinta e oito anos de peregrinação (cons. Nm. 20:1 e segs.), mas foi mencionado aqui porque suas consequências foram a exclusão de Moisés junto com a geração mais velha (cons. v. 35). Foi por isso que se tornou necessário a designação de Josué como herdeiro da dinastia mediatorial – Josué "ali entrará" (v. 38) – para conduzir os vossos meninos (v. 39) que foram poupados e introduzi-los em Canaã.

1:41 – 2:1 Depois que o povo de Israel revoltou-se contra a vontade do Senhor com um assalto presunçoso e desastroso a Canaã, na vã esperança de escapar do veredito de Deus (1:41-44; cons. Nm. 14:40 e segs.), permaneceu um pouco em Cades (v. 46).
COMENTÁRIO

Primeira Parte. Israel no Deserto. 1:1 – 22:1.
I. Primeiro Recenseamento, no Deserto de Sinai. 1:1 - 4:49.
O cenário é o Sinai, uns dez meses depois que Israel chegou ali (Êx. 19:1). Faltavam apenas dezenove dias para a nuvem se levantar de sobre o Tabernáculo e Israel começar a viagem para a Terra Prometida (Nm. 10:11). Considerando que o povo teria de enfrentar um deserto estéril e resistência inimiga rija, havia necessidade de um acampamento bem organizado.

Interpretação de Números 1
A. Recenseamento dos Soldados de Israel. 1:1-54.

1. Falou o Senhor a Moisés. Esta fórmula foi usada mais de. oitenta vezes no Livro de Números. Se esta obra não fosse de Moisés, seria necessário aceitar que o escritor destas palavras foi um impostor. No segundo ano . . . segundo mês. Exatamente um mês depois que o Tabernáculo foi levantado (Êx. 40:1,17). Números 7:1 e 9:1, 15 referem-se ao primeiro dia do primeiro mês, antedatando este versículo inicial de um mês. Os sacerdotes e o Tabernáculo foram consagrados nesse mês Números (Êx. 40; Lv. 8); os príncipes trouxeram suas ofertas nesse mês (Núm. 7); e comemorou-se então a primeira Páscoa. (9: 1-14).
2. Levantai o censo de toda a congregação. O Tabernáculo, recém-terminado, tomou-se o centro do acampamento. O exército tinha de ser organizado e todo o acampamento arrumado e disposto como uma organização religioso-civil e militar; por isso a necessidade básica de um recenseamento. A palavra ro'sh, censo, comumente significando "cabeça", foi traduzida para número em I Cr. 12:23. Do mesmo modo cabeça refere-se à contagem propriamente dita dos indivíduos ou cabeças (gulgelot, "crânio").
3. Da idade de vinte anos para cima, todos os capazes de sair à guerra. Esta terminologia, usada quatro vezes através de todo o capítulo, torna claro que o recenseamento tinha propósito militar. Os levitas não militares tiveram um recenseamento separado (1:47-49; 3:14-51).
5. Estes... são os nomes dos homens. Tentativas de provar que a lista (vs. 5-15) "não é histórica" não têm o apoio dos dados concretos. O uso abundante do nome divino El (Eliabe, Pagiel, etc. ) não indica de modo nenhum uma autoria posterior (ICC, Numbers, págs. 6, 7), pois o nome é livremente usado em nomes pessoais nos textos ugaríticos de cerca de 1400 A.C. Também o composto Shaddeiy (como em Zurisadai, v. 6) aparece em um nome pessoal de uma estatueta dos fins do século quatorze (Wm. F. Albright, The Biblical Period, pág. 7).
18. Declararam a descendência deles. Para a mente semítica, conhecer a genealogia de alguém é mais importante do que saber a data do seu nascimento ou sua idade. Por isso temos as longas genealogias da Bíblia, que foram usadas, finalmente, para traçar a descendência do Messias através de Abraão, Judá e Davi, de acordo com as promessas de Deus.
19 Assim os contou. Este verbo peiqad tem um amplo significado. Aqui significa "passar em revista", ou "fazer a chamada" e, neste sentido, "numerar". As muito repetidas frases, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo a casa de seus pós (v. 20) indicam o que nós queremos dizer quando falamos em "famílias" "afãs" e "tribos".
46. Seiscentos e três mil quinhentos, e cinqüenta. Este número se refere apenas ao exército, pois eram duas as condições governando a numeração – os homens incluídos deviam ter acima de vinte anos e deviam estar aptos para a guerra. Calculou-se que de dois a três milhões de pessoas – incluindo os levitas, pessoas idosas, crianças e mulheres – compunham o acampamento. Mestres incapazes de aceitarem o elemento sobrenatural na operação de Deus com o Seu antigo povo declaram que cinco mil soldados seria um número mais razoável de se esperar, e explicam este número como um recenseamento posterior colocado em lugar errado. Há quem diga que foi o recenseamento de Davi em II Sm. 24. Mas lá o número dos soldados só de Judá é de 500.000 (lI Sm. 24:9), enquanto aqui Judá tinha só 74.000. Em II Sm. 24 o termo para soldado é 'ish hayl, "homem de pujança"; em Números é kol yose' seibei', "todo aquele que sai com o exército".
George E. Mendenhall, em um estudo desafiador (JBL, Março, 1958), considera o registro do recenseamento em Números como listas autênticas, mal-interpretadas pelas gerações subseqüentes. Ele destaca que essas listas aparecem geralmente nas mais antigas civilizações. No mundo semítico, foram descobertas listas de recenseamento de Mari, Ugarit e Alalaque, variando em datas desde o Período Patriarcal até pouco tempo antes de Moisés. A palavra 'elep, geralmente significando mil, é considerada por Mendenhall como unidade tribal, provavelmente não militar e incluindo bem menos de mi homens. Por exemplo, quando o hebraico declara 46.500 homens para Rúben, poderia significar quarenta e seis unidades tribais, mas apenas quinhentos soldados. Assim, seriam 558 unidades tribais e 5.550 soldados.
A dificuldade neste ponto de vista é que Nm. 2:32 dá um total que dá a entender que 'elep significa "um mil". Mas Mendenhall crê que os sacerdotes pós-exílicos que organizaram o livro de Números forçaram o significado da palavra para "mil", não conhecendo o seu significado anterior. Mendenhall comenta corretamente, em conexão com Jz. 6:15, que Gideão considerava seus mil ('elep) como fracos (isto é, não uma força completa), uma característica de muitas unidades militares. Mas, então ele se vê forçado a considerar Êx. 18:25 como versículo espúrio, porque diz: "Escolheu Moisés homens capazes . . . e os constituiu . .. chefes de mil ('alapim), chefes de cem, chefes de cinqüenta, e chefes de dez". O autor crê que as provas indicam que o termo 'elep designava uma unidade militar (Nm. 1:16; 31:5, 14), mas finalmente passou também a significar uma unidade tribal de número indeterminado (1 Sm. 23:23; Mq. 5:2). Para que dois a três milhões de pessoas fossem sustentadas no deserto seria imprescindível que houvesse intervenção sobrenatural. O propósito do Livro de Números é contar-nos que isto foi o que aconteceu.

Interpretação de Números 2
B. Disposição do Acampamento. 2:1-34.

A ordem da marcha e a disposição do acampamento à volta do Tabernáculo foram especificadas neste capítulo.
2. Os filhos de Israel se acamparão, junto ao seu estandarte ("bandeira"). Eram quatro essas bandeiras, indicando os quatro acampamentos à volta do Tabernáculo (vs. 3, 10, 18, 25). Havia também outras bandeiras indicando famílias, chamadas aqui de insígnias da casa de seus pais. Ao redor... se acamparão. Só os levitas e os sacerdotes se acampavam ao lado do Tabernáculo. "O estranho que se aproximar morrerá" (3: 10, 38). O Tabernáculo tinha de ser mantido puro de contaminações cerimoniais associadas com o viver quotidiano do povo.
17. Então partirá a tenda da congregação. Metade das tribos marchavam diante dela e metade atrás; e quando acampavam, o Tabernáculo, com seus sacerdotes e levitas, ficava no meio. Quando os sacerdotes e os levitas avançavam, todos seguiam o exemplo e esperava-se que estivessem cada um no seu lugar, literalmente, a postos, segundo sua bandeira.

34. Assim fizeram os filhos de Israel; conforme a tudo o que o Senhor ordenara. O povo obedeceu a tudo o que Deus ordenou, um contraste marcante com a freqüente desobediência registrada neste livro.

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