domingo, 2 de agosto de 2015

Quem Escreveu o Livro de Isaías?

Quem Escreveu o Livro de Isaías?

Quem Escreveu o Livro de Isaías?O livro de Isaías em si fornece poucas informações sobre a atividade literária de Isaías. De acordo com 8.1 e 30.8, ele fez anotações em uma tábua ou quadro de escrever, mas também recebeu ordens para escrever uma certa profecia em um livro ou rolo (30.8). A exortação divina para buscar e ler o livro do Senhor (34.16) sugere que toda a profecia a respeito de Edom foi registrada para que no dia de seu cumprimento, o leitor pudesse verificar cada detalhe com as Escrituras. O nome de Isaías está especificamente ligado aos caps. 1, 2 e 13, Este profeta é conhecido por ter sido um historiador da corte durante os reinados dqs reis Uzias e Ezequias (2 Cr 26.22; 32.32). E provável, portanto, que Isaías tenha originalmente escrito o texto de 2 Reis 18.13-20.19, que é, em essência, um paralelo
a Isaías 36-39.

Entretanto, teorias críticas da composição dessa profecia são abundantes hoje, e negam que Isaías de Jerusalém tenha escrito 66 capítulos sozinho. Sob a influência do deísmo, no final do século XVIII, J. C. Doederlein publicou em 1789 um argumento sistemático de que os caps. 40-66 foram compostos no século VI a.C. Desde então, tem sido comum os críticos falarem de um “segundo Isaías” que supostamente escreveu no período imediatamente anterior ao final do cativeiro babilônico (550-539 a.C.). H, F. W. Gesenius apoiou esta opinião em 1819, mas Ernst Rosenmuller atribuiu várias passagens dos caps. 1-39 (como os caps. 13 e 14) ao último escritor desconhecido. Em 1892, Bernhard Duhm foi além propondo um “terceiro Isaías” que teria escrito os caps. 56-66 em Jerusalém na época de Esdras. Em 1928, C. C. ToTrey, em seu livro The Second Jsaiah, defendeu um único escritor para os caps. 34-66 (exceto para os caps, 36-39). Estes teriam sido compostos por um escritor que viveu na Palestina perto do final do século V. Alguns estudiosos recentes, como W. H. Brorvnlee, defenderam que todos os 66 capítulos vêm de um círculo de discípulos que em seguida, ou mais tarde, estudaram Isaías e suas profecias orais, Estes escritos teriam sido coletados e arranjados por um membro habilidoso dessa escola de Isaías, que talvez tenha vivido no século III. Várias evidências podem ser apresentadas em refutação dessas opiniões críticas, defendendo a unidade do livro e sua autoria pelo Isaías histórico.

§1. A Tradição Judaica.

Os profetas menores fazem alusão a expressões de Isaías (cf. Na 1.15 com Is 52.7; Sf 2.15 com Is 47.8,10). Em aprox. 180 a.C., no livro apócrifo Eclesiástico, o filho de Siraque fala de Isaías como alguém que “confortou aqueles que choraram em Sião” (48.22-25), uma clara alusão ao assunto de Isaías 40-66 e a 40.1 em particular. Esta é a primeira ocorrência de uma tradição relacionada à autoria de Isaías. Nenhuma palavra é dita a respeito de qualquer profeta menor do exílio ou da época de Esdras que acrescente algo aos escritos de Isaías. Nenhuma das muitas cópias do manuscrito de Isaías encontradas nas cavernas de Qumrã e transcritas antes e durante a época de Cristo dão qualquer indício de autoria dupla ou múltipla. Nem Josefo. A Septuaginta (LXX) tem um único título para o livro inteiro. E a tradição rabínica permaneceu uniforme no período da crítica racional moderna, afirmando que Isaías escreveu todos os 66 capítulos.

§2. O Testemunho do NT. 

Cristo referiu-se ao profeta Isaías como um indivíduo distinto (Mt 15.7-9). Os escritores do NT claramente consideravam o autor de todas as seções principais da profecia como único e o mesmo (veja Mt 3.3; 8.17; 12.17-21; 13.14,15; Mc 1.2; Lc 3.4; 4.17; At 8.28-32; 28.25-27; Rm 9.27-29; 10.16,20,21). “A citação mais conclusiva do NT é João 12.38-41.0 versículo 38 cita Isaías 53.1; o versículo 40 cita Isaías 6.9,10. Então, o apóstolo inspirado comenta no versículo 41: ‘Isaías disse isso quando viu sua glória e falou dele”. Obviamente o mesmo Isaías que viu a glória de Cristo na visão do Templo de Isaías 6 foi aquele que também fez a declaração que está registrada em Isaías 53.1: “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?” Se não fosse o mesmo autor que compôs tanto o capítulo 6 como o capítulo 53 (e os defensores da teoria Deutero-Isaías afirmam fortemente que não é), então o próprio apóstolo inspirado teria se enganado: “Portanto, segue-se que os defensores da teoria de dois Isaías devem, por implicação, reconhecer a existêpcia de erros no NT” (Archer, SOTI, p. 336). E inconcebível que a identidade de um profeta tão grande como o autor de Isaías 40-66 tivesse sido totalmente esquecida tanto pela nação judaica como pela Igreja Cristã, por homens piedosos e tementes a Deus que creram, ensinaram, copiaram e lembraram os profetas bem como a lei de geração em geração. Era essencial entre os antigos hebreus saber o nome do profeta para que seu escrito fosse aceito e registrado na casa de Israel (cf. Ez 13.9).

§3. O Contexto Palestino. 

Os críticos racionalistas afirmaram que os caps. 40-66 foram escritos na Babilônia, que é uma região plana. Mas as duas partes do livro de Isaías falam de rochedos, montanhas, ribeiros de vales, e rebanhos de Judá. Se a segunda parte tivesse sido escrita na Babilônia, teriam sido incluídas alusões à paisagem daquele campo. A coloração local em ambas as partes é judaica, mostrando que todo o livro foi escrito em Judá, dessa forma apontando para a autoria única de Isaías. 

4. O Contexto Histórico e o Religioso. 

O fato de a Babilônia ser mencionada em ambas as nartes do livro não toma necessário uma data posterior à época de Isaías para esses capítulos. As advertências re Babilônia já eram relevantes em sua própria época (veja o cap. 39). Os eventos profetizados ou descritos em 21.9; 43.14; 46.1,2 e, em parte, em 47.1-6 foram cumpridos na história mais particularmente pela destruição da Babilônia por Senaqueribe em 689 a.C., e mais tarde pela captura da cidade por Ciro em 539 a.C. Além disso, as formas ae idolatria condenadas em Isaías 57.5-9; 59.3-15; 65.3-5; 66.17 foram praticadas pelos judeus em Judá durante o reinado de Manassés (2 Rs 21.1-16), mas não pelos exilados judeus na Babilônia nem pelos judeus que retornaram no período pós-exílico. Além disso, é mais provável que a totalidade ideal da restauração de Israel retratada nos caps. 40-58 tenha sido escrita por alguém que estivesse contemplando o retomo dos exilados de longe, do que por algum contemjxirâneo que estivesse observando os resultados aparentemente escassos conforme registrado por Esdras, Neemias e Ageu.

§5. Idioma e Estilo.

Todos os 66 capítulos são escritos em um hebraico perfeitamente puro, sem aramaísmos e termos babilônicos que caracterizam os livros pós-exílicos conhecidos. Da mesma forma, as semelhanças de estilo entre os caps. 1-39 e 40-66 são surpreendentes. Por exemplo, o título de Deus, “o Santo de Israel”, usado em muitas versões apenas 31 vezes em todo o AT, é encontrado 25 vezes em Isaías; ele ocorre 12 vezes nos caps. 1-39, e 13 vezes nos caps. 40-66.

Uma outra característica marcante do estilo de Isaías é seu uso frequente do chamado “tempo perfeito profético” do verbo; isto é, ele freqüen tem ente fala de eventos futuros próximos ou já ocorridos (por exemplo, 5.13;8.23; 9.1-7; 10.28-31); de Ciro como já tendo iniciado sua carreira de conquistas (41.25; 45.13); ou da morte do Servo do Senhor como uma oferta pelo pecado (53.1-12). O profeta pôde falar desse modo porque viu esses eventos futuros como já realizados no propósito de Deus.

Esse modo vivido de falar, que Isaías compartilha com outros profetas, é especialmente significativo em seu caso por causa de sua postura quanto à questão da unidade do livro. Muitos estudiosos afirmam hoje que os caps. 40-66 não podem ser as palavras de Isaías, mas devem ser de um autor desconhecido que viveu no final do cativeiro babilônico (Deutero-lsaías) ou até mesmo depois deste período.

Muitos que aceitam a opinião acima falham por não perceber que esse argumento prova muitas coisas. Se o testo em 41.2-4 deve conter as palavras de um contemporâneo de Ciro, então o cap. 53 deve conter as palavras de uma testemunha da crucificação. Isto é naturalmente impossível. Conseqüentemente, aqueles que negam que Isaías poderia ter pronunciado as profecias a respeito de Ciro devem defender que o mesmo argumento não se aplica ao cap. 53, ou devem negar que Isaías 53 seja uma profecia messiânica, apesar do claro testemunho do NT ao cumprirse na morte do Senhor Jesus (Mc 15.28; Lc 22.37; At 8.35; 1 Pe 2.22).

Por trás desse argumento contra a unidade de Isaías, está naturalmente a doutrina moderna a respeito da profecia, segundo a qual o profeta era um homem de seu próprio tempo que falou somente ao povo de seu próprio tempo, e não às gerações futuras. Esta é uma meia-verdade muito perigosa. Os profetas testemunharam muito seriamente aos homens de sua própria época. Mas eles também falaram sobre coisas futuras, sobre “aquele dia”, “o dia do Senhor”. Sem usar muitas palavras, essa definição modernista da profecia minimiza ou elimina dela o elemento profético. Contudo, de acordo com os claros ensinos das Escrituras, o cumprimento das profecias representa a evidência mais clara de que a palavra do profeta é uma mensagem de Deus; e nenhuma passagem declara esta verdade de uma forma mais clara do que os escritos do próprio Isaías. A negação da prediçào através da profecia rompe a ligação entre o “e acontecerá” do AT e o “para que se cumprisse” do NT (cf. Jo 12.38-41). Os anti-sobrenaturalistas negam essa ligação. Mas aqueles que crêem na Bíblia, durante todos os séculos têm visto nas profecias a evidência clara e conclusiva de que Deus falou. Assim, eles regozijaram-se na unidade de todo o livro, e reconheceram Isaías como o “evangelista” do AT, que apontava adiante para um Messias sofredor que tomaria sobre si o pecado de toda a humanidade.

Para se prevenir contra a reivindicação de que Ciro é representado como alguém de quem o profeta é contemporâneo, deve ser notado que enquanto o profeta geralmente faz alusão a Ciro como alguém presente, ou prestes a aparecer, ele introduz o nome de Ciro no clímax de um notável poema (44.24-28). As palavras “Eu sou o Senhor” são seguidas pelos termos “que/quem...”, que são arranjados em três grupos, cada grupo mais longo do que aquele que o precedeu. O primeiro grupo trata do passado (v.246); o segundo trata do presente (w. 25,26a); e o terceiro trata do futuro (w. 265-28). A estrutura do poema é climática e indica que as palavras “quem diz de Ciro: É meu pastor etc.” referem-se a um futuro tão remoto que a clareza da predição deve ser considerada muito admirável. Ciro ainda não é uma figura conhecida, pois o profeta não declara sua nacionalidade em nenhuma passagem.


Resumo de Gênesis 37 e 38



Resumo de Gênesis 37 e 38

Resumo de Gênesis 37. A intrigante história de Jacó continua deste ponto até o final do livro. Jacó, entretanto, é obscurecido, de certa forma, por seu ilustre filho José. Jacó se mantém ainda por trás da cena, e o fator controlador na maior parte do que é feito. Apenas porque José denunciou seus irmãos no começo de sua juventude, ele não pode ser rapidamente descrito como um conto barato ou como um jovem mimado. Em sua atitude em relação a seus irmãos ele foi além de uma medida de imaturidade e indiscrição. Mas por outro lado, a preferência de Jacó por José pode facilmente ser entendida. A maioria, se não todos dos irmãos, tem demonstrado falta de caráter espiritual. As evidências sobre José indicam que ele tinha boas qualidades desde sua juventude. Deus escolheu revelar o futuro ao menino. Seu pai reconheceu sua afinidade espiritual com este filho. Ele tinha, aparentemente, resolvido indicar José como o cabeça da casa para sucedê-lo. A “túnica talar de mangas compridas” (37.3) era para destacar José como seu sucessor em potencial. Jacó errou na maneira pela qual ele fez essa revelação. Sem dúvida José era um jovem brilhante de caráter admirável. Com seus irmãos sendo o que eram, alguém dificilmente se poderia esperar que eles tivessem uma atitude diferente da que tiveram com ele.

Os irmãos de José tinham, temerariamente, ido para uma área de perigo, não muito longe da cidade de Siquém. Temendo por sua segurança, Jacó despachou José para checá-los, não imaginando que ele estava exposto José ao perigo. Na verdade, o leitor pode se pasmar ao saber que os grandes netos do patriarca Abraão poderiam ser capazes de pensar no assassinato do próprio irmão por terem ciúmes dele. Deste modo, ao observar ele que ele se aproximava, planejaram sumir com ele. Rúben, o primogênito, teve senso de certo e errado suficiente para advogar em favor de, pelo menos, um período de esfriamento. Ele esperava libertar seu irmão mais tarde. Judá propôs vendê-lo aos mercadores, de modo que ele fosse levado para o mercado de escravos no Egito, uma alternativa, ironicamente, bem melhor. Com certa insensibilidade, os irmãos enviaram “a túnica talar de mangas compridas”, mergulhada no sangue para o pai, enganando-o completamente e causando nele uma dor indescritível. Aquele que tinha sido muito bom para enganar quando jovem, é agora enganado por seus próprios filhos, e a experiência é dolorosa.

Resumo de Gênesis 38. Enquanto José enfrentava um futuro precário no Egito, coisas estranhas e ímpias marcavam as carreiras de seus irmãos, de volta a Canaã. Este capítulo fomece um exemplo típico do crescimento da degeneração moral de uma família, especialmente no caso de Judá, por ter se envolvido. ainda que sem intenção, com sua própria nora. A horenda desordem em toda sua repulsividade é descrita. Enquanto José se lamentava na prisão, seus irmãos estavam se corrompendo. Ter sido exposto a este tipo de corrupção cananita poderia arruinar a família. Ir para o Egito, ou algo similar, se tomou uma necessidade.

Resumo de Gênesis 35 e 36

Resumo de Gênesis 35 e 36


Resumo de Gênesis 35. Jacó tinha feito um importante voto (28.22) quando estava prestes a deixar a fronteira da terra da promessa. Deus o ajudou a se lembrar disto e a cumprir seu voto, estabelecendo um santuário em Betei. Ao mesmo tempo, Deus, de forma explícita, apresentou suas promessas, anteriormente feitas a Abraão e Isaque, a Jacó, o condutor da linhagem da promessa. A troca do nome para “Israel” foi confirmada nesta ocasião. Antes de se estabelecer permanentemente em Canaã, Benjamim nasceu e Raquel morreu no parto, tendo sido uma grande dor para Jacó. Em um curto versículo, inserido neste ponto, é indicado que até mesmo o primogênito dos filhos de Jacó tinha sido infectado com a típica imoralidade cananita, cometendo incesto com uma esposa secundária de seu pai. Jacó, contudo, em seu retomo à casa ancestral, encontrou seu pai ainda vivo. Rebeca tinha morrido. De certa forma ela pagou o preço por sua participação na deslealdade de Jacó para ganhar a bênção do pai, pois ela jamais viveu para ver Jacó novamente. Não muito tempo após isto, Isaque também morreu.

Resumo de Gênesis 36. Todo o capítulo diz respeito à história de Esaú. Muita atenção é dada para a linhagem de Esaú, porque ele era o irmão de Jacó. Anos mais tarde, os descendentes de Esaú — os edomitas — demonstraram uma atitude não muito amigável para com Israel. Israel manteve vivo o sentimento de parentesco.

Significado do Livro de Apocalipse



Significado do Livro de Apocalipse



“Apenas o sexto sentido pode expôr o que os outros cinco têm ocultado.”
― Matthew A. Petti, Autor de Alpha to Omega: Journey to the End of Time


Significado do Livro de ApocalipseO livro de Apocalipse é um dos mais enigmáticos de toda a Bíblia. Sua linguagem altamente simbólica termina por ocultar o significado - indo de encontro com o próprio significado do título do livro - fazendo de nós cegos para os eventos escatológicos do livro. Para a compreensão de uma parte destas profecias, João precisou do auxilio do anjo de Deus que interpretava as visões todas as vezes que o profeta dizia: "O que é isto?" "O que significa isto?" Os cristãos buscam a ajuda do Espírito Santo, considerado o maior interprete das Escrituras, para obterem o real entendimento deste livro. Apesar das inúmeras interpretações, oferecemos aqui um comentário bíblico versículo por versículo abordando o significado do livro de Apocalipse.





sexta-feira, 31 de julho de 2015

Significado de Ezequiel 26

Significado de Ezequiel 26


Significado de Ezequiel 26


26.1 — A data estabelecida para as declarações proféticas contra Tiro, o monarca de Tiro, e a cidade de Sidom, por volta de 587-586 a.C. (undécimo ano), corresponde a março ou abril de acordo com o nosso calendário. Isso ocorreu durante a queda de Jerusalém (v. 2) ou pouco depois. 

26.2 — Tiro, em competição com Sidom (1 Rs 16.31; Is 23.2,12), era um importante porto de uma cidade de destaque na Fenícia (atual Líbano). O verbo no passado (disse) pode referir-se a um acontecimento que ainda não havia ocorrido, utilizando uma expressão idiomática do hebraico que descreve um evento futuro que, sendo tão certo, pode ser declarado como já tendo acontecido (Is 9.6,7; 52.13—53.12). Na declaração eu me encherei, observamos uma evidência da avareza e do materialismo de Tiro, que procurava tomar qualquer riqueza de Jerusalém que pudesse ser encontrada nas ruínas após a conquista dos babilónios. 

26.3,4 — Os exércitos (muitas nações; v. 4,7-14) que atacariam Tiro são comparados de maneira apropriada às ondas do mar, porque a cidade de Tiro era uma fortaleza localizada numa ilha. 

26.5 — No meio do mar. Tiro era originalmente uma pequena ilha rochosa. Tendo sido fortificada, provou-se inexpugnável durante séculos. Agora, porém, seria saqueada. 

26.6-14 — O cumprimento da profecia a respeito do destino de Tiro começou com o longo cerco contra a cidade estabelecido pelo exército babilónico sob o comando de Nabucodonosor (entre 580-570 a.C.). Nabucodonosor governou o império neobabilônico (caldeu) entre 605-562 a.C. A segunda fase teve início com a conquista persa, por volta de 525 a.C., seguida pelo último e mais conhecido cerco de 332 a.C., realizado pelos gregos, sob o comando de Alexandre, que encerrou o cumprimento das predições nesta passagem (principalmente v. 5,14;47.10). Perceba o uso do pronome eu, referindo-se a Deus, que descreve o controle soberano do Senhor sobre todas as nações (Ez 8.7;29.8). Alexandre literalmente cumpriu as palavras destruirão os muros de Tiro (v. 4) na profecia, quando seu exército construiu uma estrada suspensa com cerca de 500 metros de comprimento entre a praia e a cidade na ilha. Ele derrubou os muros de defesa para construir esse passadiço.

26.15,16 — Os príncipes do mar (Ez 27.35) eram governantes de várias colónias na Fenícia ligadas a Tiro. Eles se renderiam e se submeteriam ao governo babilónio quando vissem o que ocorreria a Tiro: por tua causa, pasmarão. Esses homens lamentariam entoando cânticos (v. 17,18) após retirarem seus mantos e suas vestes bordadas (Jn3.6). 2 6 .17-19 — Abismo é o mesmo vocábulo hebraico presente em Génesis 1.2. A ilustração de águas turbulentas durante a criação descreve a catástrofe iminente. 

26.20,21 — O termo cova provavelmente é sinónimo de inferno (Is 14-15;38.18). A declaração para que não sejas habitada indica que a cidade de Tiro deixaria de existir.

Significado de Ezequiel 28

Significado de Ezequiel 28

Significado de Ezequiel 28


28.1-10 — Pelo fato de o grande esplendor e o pecado de Tiro terem sido subprodutos, basicamente, da influência e das intenções do rei da cidade, Ezequiel foi instruído por Deus a declarar os motivos (v. 2-6) e os meios pelos quais o julgamento (v. 7-10) seria exercido contra o principal governante e os cidadãos de maior destaque. 28.1-3 — Mais sábio és que Daniel. O nome hebraico Daniel tem uma grafia diferente no versículo 3, assim como em Ezequiel 14.14: Dan-El. Pode referir-se a outra pessoa talvez desconhecida na história antiga de Israel. 

28.4-7 — Os estranhos são os babilónios (Ez 7.17-19;23.23;30.11;31.12;32.12). 

28.8,9 — A expressão no meio dos mares faz um paralelo com a palavra abismo e reforça seu significado, porque representa o local da morte e também a própria morte. 

28.10 — O termo morte dos incircuncisos denota uma morte vergonhosa (Ez 31.18;32.19). 

28.11-19 — Existem três interpretações para o fraseado incomum desta passagem: (1) Satanás sendo simbolizado pelo rei; (2) o(s) rei(s) histórico (s) de Tiro sendo comparado (s) a Adão; ou (3) o(s) rei(s) recebendo uma mensagem com linguagem hiperbólica apresentada por meio de alusões à literatura mitológica e religiosa dos fenícios e a práticas sociais e religiosas comuns em Canaã e no antigo Oriente Próximo. A primeira opção é a mais popular, mas contribui para a compreensão de apenas algumas porções do trecho. A segunda e mais ainda a terceira opção respondem às principais questões a respeito da natureza e do significado das expressões com base em: (1) contextos literários imediatos e mais abrangentes (capítulos 26—27;28.1-10); e (2) o que já se pode saber a respeito dos contextos histórico, cultural e mitológico. A suposição de que o texto fala de Satanás não é a interpretação mais normal, natural, lógica e esperada dessa passagem para que permaneça coerente com os muitos contextos mencionados. 

28.12 — O termo aferidor da medida pode ser traduzido de modo mais literal como aquele que sela um plano (o mesmo vocábulo hebraico para plano ou padrão aparece também em Ez 43.10). O rei marcava com o selo oficial de seu anel os planos que faziam de Tiro um dos principais centros de comércio da época. Os atributos sabedoria e formosura apontam o rei de Tiro como um líder excepcional, demonstrando o ideal de governante do antigo Oriente Médio.

28.13 — No Éden, jardim de Deus. Provavelmente essa comparação é exagerada: o rei de Tiro invadiu um local cuja beleza era semelhante à do Éden. O verbo hebraico traduzido como criado é o mesmo utilizado em Génesis 1.1, o qual, no livro de Ezequiel, também enfatiza a atividade de Deus na história humana. Em Seu plano e propósito soberanos, o Senhor permitiu que o rei de Tiro se tornasse um monarca. 

28.14 — O monte santo de Deus pode ser o monte santo dos deuses. De acordo com crenças cananeias, o trono dos deuses se localizava nas montanhas ou nos montes do norte (SI 48.2). Esse trecho parece enfocar a tentativa do rei de Tiro de adentrar o conselho dos deuses. Portanto, em vez de este versículo se referir à presença do monarca em Jerusalém, pode dizer respeito, de maneira mais lógica, a um ritual fenício, a celebração da ressurreição do deus protetor Melcarte por meio do fogo. O rei mencionado no texto desejava imitar Melcarte. 

28.15 — O termo hebraico traduzido como perfeito não significa sem pecado, mas completo ou destituído de falhas. O rei de Tiro possuía o controle total do reino e não tinha sua posição ameaçada, até encher-se de orgulho e iniquidade. 

28.16-19 — O orgulho do rei levou ao materialismo, à violência e à iniquidade nos negócios e na religião. A expressão multiplicação do teu comércio se aplica de maneira mais fácil e mais apropriada ao rei humano que era a força motriz por trás do desenvolvimento do império comercial de Tiro. Deus destronou o rei, pôs fim às suas ambições iníquas e destruiu a fonte de seu poderio para torná-lo um exemplo negativo para outros. O império comercial daquele monarca entrou em colapso e seus planos de assemelhar-se a um deus foram aniquilados à vista dos governantes locais, que observavam atónitos. 

28.20-23 — Sidom era a cidade irmã de Tiro, mas de menor importância, o que pode explicar a brevidade do tratamento nesse trecho (Ez 27.8). Como irmãs no comércio, essas cidades tinham características e objetivos semelhantes, portanto cometiam crimes parecidos. O SENHOR agiu com justiça exercendo um julgamento merecido, para que o povo reconhecesse que Deus é justo e verdadeiro. 

28.24 — Deus libertaria Israel. O espinho diz respeito às nações ao redor de Israel que haviam sido inimigos e influências malignas. Quando a punição se cumprisse em sua plenitude, essas nações não mais seriam capazes de perturbar e oprimir Israel.

28.25,26 — O Senhor prometeu que o povo de Israel um dia seria reunido após sua dispersão entre as nações para retornar e habitar na sua terra, a terra que Deus havia concedido a Jacó (Canaã; Ez 11.17;20.41,42; capítulos 33—39; Gn 12.7;26.3;28.10-13;35.12;Jr 30.10). Pelo fato de as nações estrangeiras ficarem incapacitadas de atacar Israel, o povo desfrutaria um período de paz, prosperidade e segurança.

Significado de Ezequiel 27

Significado de Ezequiel 27

Significado de Ezequiel 27


27.1-3 — Perfeita em formosura. Os cidadãos arrogantes de Tiro se consideravam o melhor exemplo de mercadores marítimos no mundo antigo.

27.4-11 — Estes versículos fornecem uma descrição da construção, do aparelhamento e da tripulação das naus de comércio que simbolizavam a glória de Tiro. O material era proveniente de muitas localidades do mundo mediterrâneo oriental. Os construtores de navios, marinheiros e soldados mercenários procediam de locais distantes como a África, a Ásia Menor e a Pérsia.

27.5 — Senir é um termo amorreu para designar o monte Hermom ou outro topo de montanha nas proximidades. O vocábulo faias é traduzido em outras passagens como pinheiro, cipreste ou zimbro.

27.6 — Basã (Ez 39.18) era a ampla e fértil planície a leste do mar da Galiléia e da região superior do Jordão.

27.7 — Elisá era uma região que possuía praias e neste versículo está associada com o Egito; portanto, pode ser a Itália ou a Sicília.

27.8 — Sidom era um porto fenício a cerca de 50 km ao norte de Tiro. As duas cidades eram rivais, mas Tiro geralmente dominava Sidom (Ez 28.21,22; Gn 10.15,19; Jz 18.28; Is 23.2; Mt 11.21,22). Semelhante a Tiro, a cidade de Arvade se localizava numa ilha próxima da costa da Fenícia. Era a cidade mais ao norte no território (Ez 28.11; Gn 10.18; 1 Cr 1.16).

27.9 — Gebal era outro porto fenício de destaque, entre Sidom e Arvade (Js 13.5; 1 Rs 5.18). A localidade era chamada de Biblos pelos gregos e romanos, e de Gubla pelos assírios e babilônios.

27.10,11 — É provável que Lídia e Pute se localizassem na Ásia Menor ocidental e na África, respectivamente.

27.12 — Társis provavelmente ficava na Espanha.

27.13 — Javã é a Grécia (Gn 10.4). Talvez Tubal e Meseque se localizassem na Ásia Menor oriental (atual Turquia).

27.14 — Para saber informações sobre as casas de Togarma, veja Gênesis 10.3. Essa expressão pode referir-se ao povo da Arménia na Ásia Menor oriental (Ez 38.6).

27.15 — Dedã pode ser considerada Redá (Rodes), porque a grafia das letras hebraicas equivalentes ao d e ao r pode ser facilmente confundida. Rodes era um importante centro de comércio ao sul do mar Egeu.

27.16 — O termo hebraico para esmeralda também pode ser traduzido como turquesa.

27.17 — Minite se localizava em Amom (Ez 21.28) e provavelmente era conhecida por seu trigo de alta qualidade. Confeitos é a tradução de um vocábulo hebraico que descreve algum tipo de alimento, mas não se sabe exatamente qual. Bálsamo era uma resina aromática ou outra substância do género que pode ter tido valor medicinal nos tempos antigos (Jr 8.22).

27.18 — Damasco foi e ainda é a capital da Síria (v. 16). Helbom se localizava ao norte de Damasco, uma região ainda reconhecida pela produção de vinho. Alguns teólogos afirmam que a expressão traduzida como lã branca pode ser entendida como lã de Zacar, um local provavelmente associado com a atual Sacra, também ao norte Damasco, onde há criações de cabras e ovelhas.

27.19,20 — Dã parece estar incluída de forma errônea nesse contexto, por isso alguns estudiosos fazem a transliteração do vocábulo hebraico como Vedã. Outros argumentam que o nome Dã é mais uma designação para a Grécia. Casca, ou cássia (Êx 30.24; SI 45.8; Ct 4.14), era um tipo de canela ou planta utilizada na fabricação de perfume e incenso. Cana aromática se refere a um arbusto rico em óleo encontrado em pântanos.

27.21 — Quedar era uma tribo nômade da Arábia.

27.22 — Sabá e Raamá ficavam próximas à Arábia (Gn 10.6,7).

27.23,24 — A antiga Harã era uma cidade mercantil ao longo da importante rota de comércio do Eufrates (Gn 11.27-32), atualmente a porção oriental da Turquia. Cane (Is 10.9), Éden e Quilmade provavelmente se localizavam na Mesopotâmia, talvez ao sul de Harã (2 Rs 19.12). O versículo 23 parece mencionar duas cidades. Assur era uma cidade ao sul de Nínive; entretanto, esse termo também pode servir para descrever os cidadãos da Assíria. Para saber mais informações sobre Sabá, veja o versículo 22.

27.25,26 — O vento oriental geralmente era bastante forte e possuía grande poder destruidor (Gn 41.6; Jó 27.21; SI 48.7; Is 27.8). Portanto, simboliza a destruição que o exército babilônio ocasionaria a Tiro. Em Ezequiel 26.7, observa-se que a Babilónia viria do norte. Essa seria a direção pela qual o exército invadiria a Fenícia.

27.27,28 — Os arrabaldes eram a região de pastagens controlada por uma cidade.

27.29-36 — Os últimos versículos do capítulo apresentam um lamento para ser entoado em cântico, provavelmente várias vezes seguidas, pelos parceiros de comércio de Tiro. Os vizinhos mais próximos de Tiro (Ez 26.16-18) ficariam profundamente atribulados com a derrota da cidade, mas em pouco tempo se voltariam contra ela na inútil esperança de escapar de um destino semelhante pelas mãos dos babilónios.

Significado de Ezequiel 25

Significado de Ezequiel 25

Significado de Ezequiel 25

25.1—32.32 — Estas profecias funcionam como um interlúdio entre as profecias de julgamento de Ezequiel sobre Judá nos capítulos 1—24 e as profecias de restauração nos capítulos 35—48. Profecias semelhantes aparecem em Isaías (capítulos 13—23) e em Jeremias (capítulos 46—51). Elas são um lembrete de que, embora Deus usasse os gentios para punir Seu povo, eles também teriam de prestar contas diante do Senhor.

25.1,2 — Sobre os filhos de Amom, veja Ezequiel 21.20,28. Amom corresponde basicamente ao território atual da Jordânia com sua capital, Amã.

25.3 — Para mais informações a respeito dos amonitas e de Amom, veja Ezequiel 6.11 ;21.15; 26.2;36.2; Neemias 4.7-9; Salmos 35.19-21; Jeremias 49.1-6; Amós 1.13-15; Sofonias 2.8-11. Ah! Ah! é uma expressão de menosprezo e satisfação.

25.4,5 — Os do Oriente é outra designação para os babilônios (Ez 21.31). Registros históricos antigos mencionam a derrota de Amom para Nabucodonosor cinco anos após a queda de Jerusalém. Invasores árabes chegaram a dominar o território, e o controle persa começou por volta de 530 a.C.

25.6,7 — Os amonitas se regozijaram ao ver a destruição de Jerusalém e de seu templo; portanto, também seriam punidos. Eles deixariam de existir como povo.

25.8 — Moabe se localizava ao sul de Amom, a leste do mar Morto e entre os rios Arnom e Zerede. Os moabitas se originaram de um relacionamento incestuoso entre Ló e sua filha primogênita (Gn 19.30-38). Seir (Edom) é mencionada por ser culpada de acusar Israel de portar-se como todas as nações (Ez 35.15;36.5; Gn 32.3;36.8,9). Essa acusação reflete a interpretação errônea e maliciosa de Moabe e de Edom a respeito do infortúnio de Judá como prova de que Deus era impotente (Gn 12.1-3; Êx 19.5,6; Nm 22.12; Dt 7.6-8; Jr 48.27; Sf 2.8,9).

25.9-11 — O lado de Moabe alude a uma região remota a noroeste de Moabe, uma área extremamente difícil de ser conquistada devido à sua topografia (um platô montanhoso que se elevava bem acima do vale do Jordão). Aparentemente o ataque culminaria com a ruína da glória
de Moabe, ou seja, de suas cidades fronteiriças.

25.12 — Edom ficava ao sul de Moabe, desde o rio Zerede ao sul até o golfo de Acaba. Os edomitas
descendiam de Esaú. Sobre a vingança de Edom, veja Ezequiel 35.10;36.1-7 (compare com Gn 36.6,7; SI 137.7; Lm 4-21,22; Am 1.11,12). As transgressões mais características de Edom eram sua perpétua animosidade e repetidos atos de violência contra Israel. O vocábulo hebraico traduzido como culpadíssimos pode indicar um comportamento contínuo ou repetido.

25.13 — A localização precisa de Temã e Dedã é desconhecida, mas talvez tenham sido mencionadas
para descrever a terra de Edom de um extremo ao outro (J13.19).

25.14 — Como Edom havia buscado vingar-se dos israelitas demonstrando hostilidade para com eles quando necessitaram de ajuda, Deus mostraria a Edom Sua vingança.

25.15 — Os filisteus ocupavam o sudoeste da Palestina ao longo da costa do Mediterrâneo. Tinham um longo histórico (perpétua inimizade) de constante competição pelo controle de Judá (Jz 13— 16; 1 Sm 4;13;31; 2 Sm 5.17-21). O verbo hebraico com o sentido de vingar-se é utilizado duas vezes neste versículo, indicando o forte sentimento de vingança do qual a Filístia era culpada.

25.16,17 — O termo quereteus (provavelmente significando cretenses) é utilizado nesta passagem como substituto para alguns ou todos os filisteus, que migraram de Caftor (supostamente a ilha de Creta). Seus ancestrais mais remotos eram povos da região do mar Egeu. Veja 1 Samuel 30.14; 2 Samuel 8.18; 15.18; Jeremias 47.4; Amós 9.7 e Sofonias 2.5.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Significado de Ezequiel 29

Significado de Ezequiel 29

Significado de Ezequiel 29


29.1 — No décimo ano, no décimo mês. Este período corresponde a uma data entre 588 e 587 a.C. que, de acordo com o nosso calendário, seria dezembro de um ano ou janeiro do outro. Essa outra data apresentada por Ezequiel (a sexta) interrompe a cronologia, mas não promove um rompimento temático com Ezequiel 26.1—28.26 (Ez 1.2;8.1;20.1;24.1;26.1).

29.2 — O Faraó era Hofra (em torno de 589-570 a.C.; Jr 44.30). A profecia contra ele também fora proclamada contra todo o Egito (Ez 30.22;32.2), assim como a profecia anterior contra Tiro e seu rei (Ez 28.1-19). O contexto sugere que nos capítulos 28 e 29 o texto mencionava reis humanos.

29.3 — De acordo com a Nova Versão Internacional, o faraó é descrito neste versículo como um grande monstro [grande dragão, na ARC, ou crocodilo, na ARA]. O termo meu rio se refere ao Nilo. O orgulho e a arrogância do faraó são demonstrados por meio de suas palavras a respeito do rio Nilo: eu o fiz para mim (compare com a declaração do rei de Tiro, em Ez 28.2). N a religião dos egípcios, o deus crocodilo Sobek era uma divindade protetora (Ez 32.2).

29.4,5 — Embora o versículo 3 explique o porquê de o faraó ter sido punido, estes versículos descrevem como o castigo seria realizado. A ilustração apresenta um grande monstro sendo capturado, levado para terra firme e deixado ali para servir de alimento aos animais. O peixe representa os egípcios, que seriam julgados com o faraó (v. 2). O destino deste de servir de mantimento pode ter sido um insulto intencional aos governantes conhecidos por seus rituais de sepultamento e suas pirâmides.

29.6,7 — O propósito de Deus ao julgar o Egito era encorajar as nações e os indivíduos a conhecer o verdadeiro Senhor (Ez 6.14;7.27; 12.20; 14-11 ;22.16; 23.49;25.7,11,17:28.24). O bordão de cana representa os egípcios. Essa é uma alusão à fraqueza da nação como aliada e à inutilidade da proteção fornecida por ela (Is 36.6). Israel era tolo de apelar para o Egito em busca de proteção. Deveria ter se aproximado do Todo-poderoso para obter segurança e força.

29.8 — O termo espada é mais uma referência ao exército babilônico comandado por Nabucodonosor, o instrumento humano para a manifestação da ira de Deus (Ez 21.1-7,9-11,19,20;26.7-14)

29.9 — A nação foi indiciada como resultado das palavras arrogantes do faraó. Nos tempos antigos, as declarações exageradas e insolentes dos reis eram inscritas nos monumentos nacionais.

29.10 — A expressão desde Migdol até Sevene provavelmente se refere a localidades próximas às fronteiras norte e sul do antigo Egito, simbolizando a totalidade da terra (Jz 20.1). A desolação se estenderia até a região ao sul — a antiga Núbia, onde hoje é o Sudão.

29.11,12 — Os egípcios seriam dispersos por outras terras por quarenta anos (Ez 4-4-8). Uma crônica dos babilônios sugere que o Egito foi conquistado por volta de 568 a.C. Quarenta anos após essa data, os persas estabeleceram uma política de reassentamento para muitos dos povos que haviam sido dispersos pelos babilônios.

29.13-15 — A terra de Patros é a porção sul do Egito, que se tornaria um reino baixo e mais baixo se faria, e nunca mais dominaria outras nações.

29.16,17 — E sucedeu que [...] veio a mim a palavra do SENHOR. Ezequiel recebeu essa revelação de Deus (v. 17-21) e, aparentemente, a mensagem seguinte (Ez 30.1-19), por volta de março ou abril de 571 a.C., a data mais recente mencionada no livro (v. 1).

29.18 — Um grande serviço. Isso remete ao cerco de Tiro. As cabeças se tornaram calvas e os ombros se pelaram durante o longo cerco, que durou 13 anos ou mais. Nem Nabucodonosor nem [...] o seu exército receberam grande recompensa por seus esforços, ou seja, não houve paga.

29.19,20 — Deus afirma ser o soberano na derrota iminente do Egito diante da Babilônia, para que esta fosse compensada pela paga que não havia recebido ao conquistar Tiro. O Senhor menciona especificamente Nabucodonosor como Seu instrumento (Jr 43.8-13). As Crônicas Babilônicas declaram que o Egito foi invadido por volta de 568 a.C.

29.21 — Naquele dia. Refere-se ao dia em que o Egito sucumbiria diante da Babilônia. Não é correto interpretar esse trecho como uma profecia messiânica. Farei brotar o poder na casa de Israel significa que a nação renovaria suas forças. A renovação e o estímulo viriam ao povo de Deus no exílio quando este ouvisse falar a respeito da queda do Egito por intermédio da mão de Deus, que é santo e soberano. E te darei abrimento da boca no meio deles foi a promessa divina de restaurar o discurso de Ezequiel (Ez 33.22), e assim exaltar a Si próprio e Seus planos: saberão que eu sou o Senhor.

Significado de Ezequiel 24

Significado de Ezequiel 24

Significado de Ezequiel 24


24.1-2 — Esta é a quarta referência cronológica fornecida por Ezequiel (Ez 1.2,3;8.1 ;20.1). O nono ano, no décimo mês, aos dez do mês foi uma data em 588 a.C. correspondente ao mês de janeiro em nosso calendário, o mesmo dia em que Nabucodonosor — o rei de Babilônia — iniciou o ataque contra Jerusalém (2 Rs 25.1-3; Jr 39.1,2;52.1-6). Ezequiel foi ordenado a escrever o nome deste dia. Essa seria uma recordação amarga do fato de o Senhor sempre cumprir o que prometia por intermédio dos profetas. O cerco de Nabucodonosor foi a punição de Deus a Jerusalém. 

24.3-5 — O assunto dessa comparação está explicado no versículo 2. Os ouvintes novamente eram uma casa rebelde (Ez 2.3 -8 ;3.5 - 7; 11.3 -12; 12.2,22-28). Rebanho era um símbolo do povo escolhido por Deus (compare com o cap. 34). Ossos às vezes eram utilizados como combustível para fogueiras.

24.6 — O termo cidade sanguinária explica por que Jerusalém — a panela — teria de experimentar o ímpeto da ira de Deus (v. 9;22.2-12) por meio do cerco babilônico que agora havia começado. O restante do versículo anuncia o veredicto: exílio. Tira dela pedaço a pedaço se refere individualmente aos habitantes, os bons pedaços de carne nos versículos 4 e 5. A instrução não caia sorte sobre ela significa que Deus não tem favoritos; Seu julgamento recairia igualmente sobre todos os habitantes da cidade, porque todos haviam pecado.

24.7.8 — Estes versículos falam sobre o pecado de derramamento de sangue (v. 6) cometido na cidade. O povo se envolveu no erro, e Deus declarou que os cidadãos permaneceriam expostos ao julgamento (Gn 4-10; Lv 17.13; Is 26.21).

24.9-15 — Pois te purifiquei, e tu não te purificaste provavelmente se refere às deportações de 605 e 597 a.C., cujos efeitos de purificação estavam incompletos. 

24.16,17 — O desejo dos teus olhos se refere à esposa de Ezequiel (v. 18,21,25). A expressão de um golpe é utilizada em outro trecho para falar de uma praga que refletia a ira de Deus (Ex 9.14; Nm 14.37; 16.46). A ordem solene de Deus não lamentarás, nem chorarás talvez seja uma das mais difíceis já proclamadas a um de Seus servos. A imagem da morte da esposa de Ezequiel e o fato de o
profeta não poder lamentar essa perda ilustram o sofrimento divino diante da morte de Sua esposa — Jerusalém — e Sua impossibilidade de lamentar, porque a nação merecia castigo. Ezequiel foi chamado por Deus para ser “um sinal aos exilados” , demonstrando o que eles deveriam fazer (v. 21-23) em reação à morte (destruição) de seu desejo e deleite — sua nação e a capital desta. O que Ezequiel foi ordenado a aceitar e fazer ilustra o grau de sacrifício pessoal e o afastamento da vida comum que o ministério profético geralmente demandava. Um longo período de luto era a reação normal à morte de um ente querido no antigo Oriente Médio (1 Sm 4.12; 2 Sm 1.12,17:3.31,35; 15.30; 19.4; Is 58.5; Jr 16.7; Mq 1.8,10). A atitude dos enlutados não era atar o turbante, mas sim removê-lo e substituí-lo por pó. Não te rebuçarás (não cubras os bigodes, na ARA) é uma alusão à prática de encobrir metade da face com o véu. O pão dos homens era o alimento fornecido à pessoa de luto quando esta terminava o jejum. 

24.18 — Como se me deu ordem. Ezequiel recebeu uma ordem divina que lhe foi particularmente difícil. Ele comunicou de modo fiel a revelação do Senhor ao povo. Sua obediência absoluta a uma das ordenanças mais rigorosas de Deus contrastava com a desobediência de seus conterrâneos. 

24.19,20 — Não nos farás saber...? Quando a obediência a Deus exigia atitudes incomuns, a curiosidade do povo a respeito dos motivos de tal comportamento era estimulada, criando oportunidades para testemunho verbal acerca da revelação do Senhor (observe Ez 12.9 e 21.7 para
conferir duas ocasiões anteriores em que houve reação semelhante). 

24.21 — O regalo da alma provavelmente se referia a afeições. A expressão significa algo como o objeto de suas afeições. Os israelitas tinham muito orgulho do templo. Em vez de vê-lo como um local de adoração a Deus e como a casa do Senhor — meu santuário —, o povo se envaidecia da construção como um símbolo de sua importância como nação. Portanto, Deus profanaria o templo, permitindo que os babilônios capturassem a cidade e destruíssem a edificação (v. 25; 2 Cr 36.15-21; Lm 1.10,11). Sem cidade ou templo de que se gabar, os israelitas humilhados só poderiam vangloriar-se na misericórdia de Deus. 

24.22-24 — Os israelitas deveriam reagir à morte da nação como Ezequiel havia sido ordenado a portar-se quando sua esposa morreu (v. 15-18): eles não poderiam lamentar a perda. O propósito da punição divina é demonstrado novamente: sabereis que eu sou o Senhor JEOVÁ (Ez 6.8-10; 12.15,16). As provações induziriam os israelitas a depender do Senhor e saber que Ele é santo. Sobre o termo sinal, veja Ezequiel 12.3-7; 24-16,17. Quando Jerusalém sucumbisse, Deus provaria ser digno de confiança e justo, e demonstraria que Ezequiel era realmente Seu profeta (v. 27).

24.25-27 — Quando algum que escapasse no dia da derrota de Jerusalém (586 a.C.) chegasse para dar as notícias a Ezequiel (talvez cerca de três meses depois), o profeta seria liberto da incapacidade de falar qualquer coisa exceto palavras de julgamento, e então teria permissão de pregar sobre esperança (v. l,2,24;3.25-27- ;33.21—39.29; 2 Rs 25.8,9).