• Significado de “céu” no Novo Testamento

    O Novo Testamento emprega muitas vezes o vocábulo “céu” em muitos contextos. Nesse estudo, traduzimos o comentário de uma das obras de teologia do NT mais renomadas atualmente, The Dictionary of Jesus and the Gospels [O Dicionário de Jesus e os Evangelhos], para falar sobre o assunto [...]

  • Antropologia do Novo Testamento

    O lugar das pessoas na atividade de criação de Deus é comparado a seu lugar na Sua atividade de redenção. O Novo Testamento insiste em que as pessoas não tinham aceitado a responsabilidade dada em Gênesis 1:29-30. É igualmente insistente que a alta estima de Deus para com o homem não diminuiu [...]

  • Significado de GEENA na Bíblia

    GEENA. A forma Gr. do Heb. gē–hinnom, “”vale de Hinom” (Jos. 15:8; 18:16); também chamado Topheth (II Rs 23:10). A forma Gaienna ocorre na LXX em Jos. 18:16b. A palavra é usada como nome metafórico do lugar de tormento dos ímpios, após o julgamento final [...]

sábado, 22 de novembro de 2014



Interpretação de Lucas 4




Lucas 4
D. A Tentação. 4:1-13
Interpretação de Lucas 4
A narrativa da tentação de nosso Senhor foi apresentada por Lucas e Mateus. Jesus, assim como Adão (Gn. 3:6), foi experimentado nas três áreas do apetite físico, da ambição temporal e do alcance espiritual, para que fosse provado competente em sua missão. Onde o primeiro homem falhou, ele triunfou.
1. Guiado pelo Espírito. A primeira diretiva do Espírito Santo que foi registrada conduzia à prova. Deserto. O cenário tradicional para a Tentação é um território estéril a noroeste do Mar Morto, completamente despido de vegetação ou qualquer espécie de abrigo.
2. Quarenta dias. Um período comum para provação (Gn. 7:4; Êx. 24:18; I Reis 19:8; Jo. 8:4).
3. Se és o Filho de Deus. A condicional grega usada dá a entender que o diabo não duvidava de que Jesus fosse o Filho de Deus, mas em vez disso presumia que Jesus não tinha o direito de criar. Pão. O pão na Palestina não tinha o formato comprido dos nossos filões, mas era um bolo redondo e chato. As pedras do chão tinham o aspecto de pães.
4. Está escrito. Jesus não compôs a sua própria resposta para o tentador, mas extraiu a sua réplica da revelação das Escrituras. Não só de pão viverá o homem. (Dt. 8:3). O homem precisa de pão, mas o pão não serve para todas as necessidades. A gratificação material dos apetites não pode nunca satisfazer os mais profundos anseios do espírito humano.
5. Todos os reinos do mundo. Das alturas da cadeia de montanhas podia-se ver os territórios antigamente ocupados pelos impérios do Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma.
6. Dar-te-ei a ti toda esta autoridade. Cristo veio para reclamar o mundo como seu reino, e o diabo estava oferecendo-lhe em termos "fáceis".
7. Portanto, se prostrado me adorares. Pela adoração, Jesus permutaria a sua independência com os reinos do mundo. Se ele
aceitasse esses termos, não seria realmente o soberano, porque se veria obrigado a reconhecer o poderio de Satanás.
8. Ao Senhor teu Deus adorarás. (Dt. 6:13). Ele só admitia a autoridade suprema de Deus. Ele não se comprometia.
9. O pináculo do templo. Uma das ameias ou torres (gr. pterygion, "pequena asa"), de onde se descortinava o átrio ou talvez o Vale de Cedrom. Se Jesus pulasse do alto da ameia para o meio do povo e chegasse ao chão incólume, seria aclamado como o Messias do céu, e sua reputação seria imediatamente formada.
10. Está escrito. Na terceira tentação o diabo omitiu parte do versículo, que diz, "para que te guardem em todos os teus caminhos". Deus não prometeu guardar o seu servo num ato de tola presunção, mas somente quando estivesse andando pelos caminhos de Deus (veja Sl. 91:11, 12).
13. Até o momento oportuno. As palavras dão a entender que a tentação ou o ataque foi renovado mais tarde. O Salvador viveu constantemente sob a pressão do diabo. O diabo é uma personalidade real, embora não seja necessariamente visível.
E. A Entrada na Galiléia. 4:14, 15.
Mateus, Marcos e Lucas começam o ministério de Jesus com a Galiléia; João registra um ministério anterior na Judéia (Jn. 2:13 - 4:3). Lucas destaca o lugar do Espírito Santo na carreira de Jesus (cons. Lc. 1:35; 3:21 , 22; 4:1).
IV. O Ministério Ativo do Salvador. 4:6 - 9:50.
A primeira parte do ministério de nosso Senhor ocupou cerca de dois anos e meio. Inclui a escolha dos apóstolos, a maior parte dos seus ensinamentos e curas, e alcança o seu clímax na Transfiguração. Lucas estava empenhado em mostrar a Teófilo o caráter divino de Jesus, e a natureza profética de sua missão.
A. A Definição do Seu Ministério. 4:16-44.
16. Nazaré. Jesus começou o seu ministério na cidade em que morava. Na sinagoga. Durante o cativeiro na Babilônia, depois da destruição do Templo, o povo instituiu sinagogas como centros locais de adoração. Mesmo depois que o Templo foi restaurado, a adoração nas sinagogas continuou. Lucas observa que Jesus estava acostumado a freqüentar os cultos da sinagoga, regularmente, aos sábados. Os membros participavam do culto e eram freqüentemente solicitados a lerem as Escrituras e a fazer comentários apropriados. Paulo apresentou a maior parte de suas pregações em sinagogas (cons. Atos 13:14, 15).
17. O livro do profeta Isaías. A sinagoga seguia uma ordem regular nas leituras. Jesus provavelmente tomou a passagem que devia ser lida naquele dia.
18. Pelo que me ungiu. A passagem foi extraída de Is. 61:1, 2, que era uma profecia sobre a Era Messiânica.
20. O livro. Os livros do V. T. eram rolos montados sobre braços de madeira, que se desenrolavam de um lado e se enrolavam do outro enquanto eram lidos. Assistente. Depois de ler, Jesus enrolou o pergaminho e devolveu-o ao encarregado das Escrituras. Os rolos eram dispendiosos e por isso cuidadosamente guardados.
21. Hoje se cumpriu a Escritura. As palavras iniciais do comentarista devem ter constituído um choque para seus ouvintes. Eles o conheciam desde a sua meninice e o aceitavam como uma pessoa comum. Quando ele proclamou o cumprimento desta profecia messiânica, ficaram aturdidos.
22. Palavras de graça. Lucas não dá um registro textual de tudo o que Jesus disse. Ele deve ter explicado a primeira parte do texto aplicando-a a si mesmo. Não é este o filho de José? A pergunta dos habitantes da cidade mostra que nada sabiam sobre a origem de Jesus, pois presumiam que era filho de José e Maria, produto de um nascimento natural. Quando ele insistiu em suas reivindicações, ficaram imaginando que direito tinha de agir assim.
23. Médico, cura-te a ti mesmo. O Senhor muitas vezes ensinava por meio de provérbios e parábolas. Nesta ocasião ele antecipou a exigência do povo que realizasse em Nazaré os milagres que tinha realizado em Cafarnaum.
24. Nenhum profeta é bem recebido na sua própria pátria. Nos versículos seguintes, Jesus destacou que, além de esperar rejeição da sua própria cidade, o seu grande ministério seria entre os gentios.
28. E todos . . . se encheram de ira. O aviso de que não tinha ministério para o povo de Nazaré por não ser aceito por ele, provocou a ira deles e quiseram matá-lo, criando um tumulto.
29. Cume do monte. Nazaré fora construída sobre montanhas, algumas das quais bastante íngremes.
30. Passando por entre eles. Sua presença dominante e a divina proteção conduziram-no incólume através da multidão enfurecida.
31. Cafarnaum. Uma cidadezinha nas praias da Galiléia, cerca de vinte e cinco milhas a nordeste de Nazaré. Jesus levou avante um ministério extenso na sinagoga. Lucas dá o exemplo de um dia na vida de Jesus, cheio de ensinamentos e curas.
33. De espírito de demônio imundo. A possessão demoníaca era comum no tempo de Jesus e era diferente da insanidade mental (veja Mt. 4:24). Em lugares onde os poderes do diabo são reconhecidos e adorados, isso ainda acontece. Os demônios são intelectos perversos que procuram obter o controle dos seres humanos para poder se expressar.
34. Que temos nós contigo? Os espíritos do mal reconheceram-no e expressaram medo e ódio.
35. Cala-te, e sai desse homem. Nosso Senhor nunca permitiu que os demônios lhe dessem publicidade. Sua autoridade sobre eles era uma prova da validade de suas reivindicações messiânicas em Nazaré.
38. A casa de Simão. A chamada de Simão foi registrada por João (Jo. 1:41, 42). Lucas não o mencionou antes, mas presume que seus leitores já sabiam que Simão era discípulo. Sua vocação para o serviço foi apresentada mais tarde. Com febre muito alta. Só Lucas usa o adjetivo muita, refletindo seu interesse médico.
40. Ao pôr-do-sol. O pôr-do-sol marcava o fim do dia judeu. Com o encerramento do sábado, era permitido por lei que se carregassem os enfermos. Tantos foram trazidos para o Senhor que ele deve ter passado grande parte da noite ministrando-lhes.
42. Saiu. Muitas vezes, depois de um dia atarefado, Jesus se retirava do meio das multidões a fim de orar (veja 5:16; 6:12).
43. O reino de Deus. O reino e governo de Deus através do Messias era o objeto da pregação do Salvador. Sua ética, seus feitos, sua obra redentora e sua promessa de voltar, tudo pertence ao domínio desse assunto. O povo judeu daquele tempo esperava que o reino seria principalmente uma restauração da independência de Israel. Jesus lhe deu um teor mais completo.
B. As Provas do Seu Poder. 5:1 – 6:11.

Esta divisão de Lucas continua apresentando as provas do poder de Jesus, preparando-se para dar ênfase ao ministério público.

Interpretação de Lucas 3




III. O Aparecimento do Salvador. 3:1 – 4:15.
Interpretação de Lucas 3
A narrativa do ministério de João Batista, a genealogia e a tentação de Jesus tem o propósito de fornecer os antecedentes do Salvador que Lucas está apresentando. O batismo relaciona-o com a vida espiritual contemporânea sua; a genealogia confirma seu relacionamento com a raça humana; e a tentação prova sua competência em lidar com os problemas morais que a humanidade enfrenta.

Lucas 3
A. A Introdução de João Batista. 3:1-20.
1. No ano décimo quinto do reinado de Tibério César. Lucas, sendo um historiador cuidadoso, data o começo da vida pública do Salvador com o ano do imperador reinante. Tibério era filho adotivo de Augusto (2:1). Uma vez que foi o sucessor ao trono em 14 A. D., seu décimo quinto ano seria em cerca de 28 ou 29 A.D. As outras personalidades mencionadas aqui governavam a Palestina na mesma ocasião.
Governador. Pôncio Pilatos, que foi novamente mencionado em relação ao julgamento de Jesus (23:1-25), era o procurador (governador imperial) da Judéia desde 26 a 36 A. D. Era responsável diante do imperador pelo bem-estar da província. Tetrarca da Galiléia. Um tetrarca era o governador de uma área restrita de um quarto de dado território. Herodes era Antipas, um filho de Herodes, o Grande, que governava a Galiléia e o território a leste do rio Jordão. Ituréia, o território de Filipe, outro filho de Herodes, o Grande, ficava ao nordeste da Galiléia e a leste do Monte Hermom. De Lisânias pouco se sabe, exceto que foi o monarca do pequeno reino de Abilene sobre o aclive oriental das montanhas do Líbano, a nordeste de Damasco.
2. Anás e Caifás. Caifás era o sumo sacerdote governante; Anás, seu sogro, era sumo sacerdote emérito, e exercia forte influência (Jo. 18:13). A palavra de Deus. O chamado divino foi feito a João como aos profetas do V. T. (Os. 1:1; Joel 1:1; Jn. 1:1; Mq. 1:1).
3. O batismo de arrependimento. Plummer (ICC, pág. 86) diz que "o batismo do arrependimento" é um batismo relacionado com o arrependimento, um símbolo externo da mudança interior. Arrependimento significa uma mudança de mente ou atitude que não é apenas emocional, mas que envolve uma inversão do pensamento e conduta anteriores. Para remissão dos pecados. O propósito da pregação de João era levar os homens a experimentarem o perdão.
4. Endireitai as suas veredas. Veja Is. 40:3-5. Antigamente havia poucas estradas pavimentadas. Quando um rei viajava, seus súditos construíam estradas para ele a fim de que sua carruagem não atolasse na lama ou areia. Do mesmo modo, João estava preparando o caminho para Jesus através de sua pregação para que toda a carne pudesse ver a salvação de Deus. Citando as palavras do profeta (Is. 40:3), "Preparai o caminho do Senhor (Jeová)", em relação à missão de João, Lucas mostra que reconhece a divindade de Cristo.
6. E toda a carne verá a salvação de Deus. O escritor esclarece no começo do ministério de Jesus que Ele tinha uma mensagem universal.
7. Raça de víboras. Como seus antepassados proféticos, João denunciava os pecados do povo com rigorosa linguagem.
8. Temos por pai a Abraão. Os judeus se orgulhavam de maneira especial de Abraão como o cabeça de sua raça, com o qual Deus fizera o seu convênio. Crendo que herdaram a bênção de Deus através de Abraão, confiavam na sua ascendência para obter salvação (Jo. 8:33). João Batista advertiu-os de que Deus poderia transformar as próprias pedras em descendentes de Abraão.
9. Já está posto o machado à raiz das árvores. Árvores infrutíferas eram cortadas para lenha. A nação não produzira os frutos que Deus tinha esperado, e o juízo era iminente.
12. Publicanos eram cobradores de impostos, conhecidos por sua rapacidade. Uma certa parte do salário era exigida em pagamento de impostos, mas os publicanos costumavam pedir mais, e enriqueciam com a diferença. Eram odiados pelo povo, que os considerava traidores porque trabalhavam para Roma.
14. Também soldados. Os soldados costumavam ser brutais com os civis, e praticavam a extorsão às custas destes. A ninguém maltrateis. A palavra grega para tratar mal (diaseisete) significa "derrubar".
15. Se não seria ele, porventura, o próprio Cristo. Cristo é um termo geral significando "Messias". É um título, não um nome próprio.

16. As correias das sandálias. O amarrilho. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Assim como o batismo com água significa arrependimento, a vinda do Espírito Santo é a prova da presença de Deus. O fogo é um símbolo de purificação e poder.


Interpretação de Efésios 6




Efésios 6

2) Filhos e Pais. 6:1-4.
Interpretação de Efésios 6
O apóstolo prossegue com outro relacionamento específico, o de pais e filhos, com obrigações impostas a ambos os lados.
1. Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor. Obediência é um termo mais forte do que submissão, que foi apresentada como a obrigação da esposa. No Senhor. "A esfera na qual ela deve se movimentar, pois a obediência cristã é completa tia comunhão com Cristo" (Salmond). Pois isto é justo. Aqui está se mostrando que este é um princípio eterno de Deus.
2. Honra a teu pai e a tua mãe. Paulo mostra que a Lei tem a mesma injunção. Todos os Dez Mandamentos, exceto o quarto, foram reformulados e aplicados sob a graça. É o primeiro mandamento com promessa. Isto é, uma promessa foi dada à obediência.
3. Para que te vá bem. Isto deve ser uma continuação da citação da Lei e não se aplica diretamente ao crente na presente dispensação. Embora o princípio continue sendo verdadeiro, a próxima vinda do Senhor, mais do que uma vida longa, é a bendita esperança do cristão.
4. E vós, pais. Como antes, há um outro lado da responsabilidade. Primeiro ela foi declarada negativamente e, então, afirmativamente. Mas criai-os. Cons. Dt. 6:7. Passagem paralela é Cl. 3:20, 21.

3) Servos e Senhores. 6:5-9.
Um terceiro conjunto de relacionamento está sendo agora discutido – o de senhores e servos. A escravidão existia como instituição no tempo do N.T. Não era função do Evangelho derrubar a escravidão, embora a abolição gradual dessa instituição tenha sido um produto derivado do Cristianismo.
5. Vós... servos. Literalmente, escravos. Entretanto, os princípios se aplicam a qualquer tipo de empregada e empregadores. Na sinceridade do vosso coração. De verdade e com sinceridade – não com hipocrisia. Como a Cristo. Cons. I Pe. 2: 18; Cl. 3: 22-25.
6 Não servindo à vista, como para agradar a homens. Uma amplificação do que já foi dito. A palavra traduzida para agradar a homens aparece na Septuaginta, mas, no N.T., só se encontra aqui e em Cl. 3:22. Fazendo de coração a vontade de Deus. Literalmente, da alma – isto é, com todo o ser.
7. Servindo de boa vontade. Um cristão que é um servo contratado deve reconhecer que sua primeira responsabilidade é com o Senhor Jesus Cristo. Quando ele executa o trabalho que se espera dele e o faz bem, está agradando ao Senhor.
8. Certos de que. Este é um conectivo causal – porque nós temos certeza que há uma recompensa para a fidelidade no serviço prestado a Cristo. Quer seja servo, quer livre. A posição de uma pessoa neste mundo nada tem a ver com a sua fidelidade e com a recompensa pela sua fidelidade.
9. E vós, senhores. Aqui se enfatizam as obrigações dos empregadores.
De igual modo procedei para com eles. O lado positivo, mostrando a mutualidade da obrigação. Deixando as ameaças. O que os senhores não devem fazer.
Sabendo. Isto é, porque vocês sabem. Que o Senhor tanto deles como vosso. Esses senhores também têm um Senhor. Este é o Senhor (Kurios). Ele não faz acepção de pessoas (cons. Cl. 4:1). Todos esses relacionamentos práticos fluem da plenitude do Espírito Santo, prescrita em Ef. 5:18.

E. A Caminhada Cristã como uma Guerra. 6:10-20.
Em toda esta divisão da epístola muito se disse sobre a vida cristã prática. Neste parágrafo o andar do cristão foi descrito como uma batalha, um conflito mortal no qual ele está alistado contra o poder de Satanás e suas hostes.

1) Sendo Fortes no Senhor – a Armadura Completa de Deus. 6:10-17.
Sendo esta caminhada uma guerra, como foi aqui descrita, o cristão deve estar preparado e equipado. Esta passagem que trata de toda a armadura de Deus mostra que provisão maravilhosa Jesus fez para os seus guerreiros.
10. Quanto ao mais. Aqui estão exortações gerais que concluem a epístola. Irmãos meus (E.R.C.). Paulo faz seus leitores se lembrarem do seu relacionamento com eles no Senhor.
Sede fortalecidos no Senhor. O Senhor Jesus disse, "Sem mim, nada podeis fazer" (Jo. 15:5; cons. também Fp. 4:13). E na força do seu poder. Três palavras foram usadas no versículo para o termo força. Primeiro, foi usado o verbo no imperativo, sede fortalecidos ou capacitai-vos; depois a palavra para força e, finalmente, a palavra para poder na força do seu poder.
11. Revesti-vos de toda a armadura de Deus. Ainda que Deus a tenha providenciado, o indivíduo cristão tem a responsabilidade de vesti-la; isto é, ele deve conscientemente se apropriar do poder que o Senhor Jesus Cristo põe à sua disposição. Toda a armadura de Deus. A armadura está descrita em detalhes, como também os inimigos que o crente tem de enfrentar. Para poderdes ficar firmes. Sem esta armadura de Deus, o cristão não tem capacidade de permanecer firme. Aquele que está assentado com Cristo nos lugares celestiais e andando neste mundo tem também de tomar agora uma posição contra as ciladas – os métodos ou estratagemas – do diabo.
12. Porque a nossa luta não é. O motivo porque precisamos de toda a armadura de Deus. Contra o sangue e a carne. Os israelitas sob o comando de Josué tiveram de lutar contra a carne e o sangue a fim de conquistar a terra de Canaã. A nossa guerra é espiritual e não física. E, sim, contra os principados. Não uma comparação, mas uma negação absoluta. Nas hostes de Satanás encontramos diferentes categorias. Não é possível fazer separações distintas entre os diversos tipos de inimigos aqui mencionados. Contra os dominadores deste mundo tenebroso. Literalmente, os príncipes do mundo destas trevas. Contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Esta é a última das cinco vezes em que en tois epouraniois, "nas regiões celestiais", ocorre na epístola.
13. Portanto. Sendo os nossos inimigos exatamente como foram descritos. Tomai toda a armadura. Novamente a responsabilidade humana enfatizada. Para que possais resistir. Observe que a passagem fala de ambos, resistir e estar firme. O primeiro é a capacidade de vencer a luta, manter a posição; o último mostra o resultado do conflito.
14. Estai, pois, firmes. Neste e nos versículos seguintes a armadura está descrita em detalhes. Todas essas coisas falam num certo sentido do próprio Senhor Jesus Cristo, que é a nossa defesa.
Cingindo-nos com a verdade. Aquele que tem os lombos cingidos está preparado para a atividade (cons. I Pe. 1:13).
Da couraça da justiça. Cons. Is. 59:17. 15. Calçai os pés. Grande parte da linguagem desta seção foi tirada de diversas passagens do V.T. (cons. Is. 52:7).
A preparação. Isto é, aquilo que nos prepara. Isto pode corresponder aos calçados ou botas. Do evangelho da paz. As boas novas caracterizadas pela paz ou resultando na paz.
16. Embraçando sempre o escudo da fé. Genitivo de aposição; isto é, o escudo que consiste da fé ou é a fé. Os dardos inflamados do maligno. A palavra maligno está no singular è sem dúvida no masculino, não no neutro – portanto o maligno – isto é, o próprio Satanás. Toda a vestimenta de um soldado romano foi apresentada nesta passagem, e as diversas partes foram aplicadas espiritualmente.
17. Tomai também o capacete da salvação. Novamente, o capacete que é a salvação.
A espada do Espírito. Não o mesmo tipo de genitivo como o anterior; talvez um ablativo de fonte ou origem. Isto é, a espada fornecida pelo Espírito. Que é a palavra de Deus. A palavra de Deus é uma espada penetrante. Aqui foi usado hrêma, "palavra" com o significado de pronunciamento. Em passagem semelhante, em Hb. 4:12, foi usado logos, "palavra" com o significado de conceito ou idéia. As Escrituras são ambos, hrêma e logos. Todas as partes da armadura mencionadas acima, até agora são partes defensivas. A espada do Espírito é a única arma ofensiva, além de defensiva.

2) Oração por Todos os Santos e por Paulo. 6:18-20.
18. Orando em todo tempo. A palavra de Deus deve sempre ser usada em conexão com a oração da fé (cons. I Ts. 5:17; Cl. 4:2).
Oração e súplica. A primeira palavra é usada para orações em geral, e a última para pedidos.
No Espírito. O mesmo Espírito Santo que brande a espada da Palavra, também deve estar ativo em nossos corações.
Por todos os santos. Paulo não restringiria as orações deles especificamente a seu favor, embora mencione a sua pessoa no versículo seguinte.
19. E também por mim. Isto é, por mim em particular; isto devido às circunstâncias de Paulo no momento. Para que me seja dada . . . a palavra com intrepidez. Mesmo na cadeia Paulo não estava pensando primeiramente em seu bem-estar, mas no seu testemunho para o Senhor Jesus Cristo. Lemos em Atos 28:30, 31 que Paulo falava a todos que vinham visitá-lo, enquanto esteve prisioneiro em casa alugada por ele mesmo, em Roma. Para... fazer conhecido o mistério do evangelho.
Não que o Evangelho seja ainda um segredo para aqueles que o venham a receber.

F. Saudações Finais. 6:21-24.
21. E para que saibais também a meu respeito. Uma das poucas referências pessoais nesta epístola. Tíquico. Evidentemente o portador da carta (cons. Cl. 4:7).
22. Vo-lo enviei. Tempo aoristo epistolar. Paulo o envia, mas quando eles estivessem lendo a carta, já teria sido enviado. Como quando escreveu aos filipenses, Paulo quer que saibam como está passando, e quer saber a respeito deles.
23. Paz seja com os irmãos, e amor com fé. Só Deus pode dar essas qualidades.
24. A graça, literalmente; isto é, a graça além da qual não existe nenhuma outra.

Com todos os que amam sinceramente a nosso Senhor Jesus Cristo. Isto é, os crentes.


Interpretação de Efésios 5




Efésios 5
C. A Caminhada do Amor. 5:1-14.
Interpretação de Efésios 5
A vida cristã não envolve apenas o andar digno da nossa vocação e o andar de maneira diferente dos gentios, mas também o andar em amor.

1) Andando em Amor. 5:1-7.
Sendo os crentes os "filhos amados" de Deus e tendo experimentado Seu amor, eles têm um padrão a preservar, um caminho a seguir.
1. Sede pois. Literalmente, transformem-se pois ou provem que são. Imitadores. Como filhos amados. Exatamente como as criancinhas aprendem imitando seus pais, assim devemos ser imitadores de Deus.
2. E andai em amor. Mo descreve todo o nosso modo de viver. Como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós. Isto é, Ele se entregou por causa de nós (cons. Gl. 2: 20). Como oferta e sacrifício a Deus. Cons. Sl. 40:7, que foi citado em Hb. 10:7. Em aroma suave. Reminiscência das ofertas de cheiro suave do livro de Levítico, que prefiguravam o auto-sacrifício voluntário de Cristo a Deus.
3. Mas a impudicícia. Termo generalizado para a imoralidade sexual. Nem sequer se nomeie entre vós. A ligação com o precedente está clara. O amor não comenta os pecados dos outros (cons. I Co. 13:4-8). Há o perigo de alguém experimentar satisfação mórbida na discussão dos pecados dos outros. Como convém a santos. Devemos saber o que é próprio e conveniente à nossa elevada posição.
4. Nem conversação torpe, nem palavras vãs, ou chocarrices. Essas palavras não impedem a espontânea alegria cristã e o senso de humor, mas indicam que os cristãos não devem participar de frivolidades. No grego dão a entender o tipo de anedotas que são vulgares e grosseiras. O antídoto para o cristão é a ação de graças.
5. Sabei, pois. Cons. I Co. 6:9, 10. Ou avarento. É interessante notar que este tipo de pecador foi incluído na mesma classificação ao lado do imoral e do devasso. A maneira de Deus classificar os pecados não é igual à nossa. Diante dEle todos os pecados são odiosos. Devemos aprender a encarar os pecados como Ele o faz.
6. Com palavras vãs. Isto é, palavras vazias, palavras sem significado. Os filhos da desobediência (cons. 2:2, onde a mesma expressão foi usada).
7. Portanto não sejais participantes com eles. O uso do imperativo presente com esta forma do negativo (mê) indica a proibição de algo já em progresso; literalmente, parem de ser companheiros deles.
2) Andando na Luz. 5:8-14. O amor e a santidade (muitas vezes simbolizados pela luz nas Escrituras) não devem ficar separados, explica o apóstolo. O andar no amor é também andar na santidade.
8. Pois outrora éreis trevas. Uma linda expressão do contraste entre o nosso passado e o nosso presente (cons. o mesmo tipo de contraste em I Co. 6:9-11; I Ts. 5:5). Andai como filhos da luz. Deus sempre coloca o fato de nossa posição diante de nós base para o nosso procedimento. Fruto do Espírito. (E.R.C.). Alguns manuscritos rezam o fruto da luz (E.R.A.) (cons. Gl. 5:22, 23).
10. Provando sempre o que é agradável. Isto é, fazendo um teste. O critério é aquilo que agrada ao Senhor (cons. II Co. 5:9, onde foi usada a mesma expressão).
11. E não sejais cúmplices. Novamente, parem de ser companheiros deles (lit.). Antes, porém, reprovai-as. Se um cristão está em comunhão com o seu Senhor, sua própria vida será uma censura ao mundo.
12. O só referir é vergonha (cons. v. 3 acima). O Dr. A. C. Gaebelein chamava a discussão pública dos pecados secretos de "comunhão dos pecadores", em contraste com a comunhão bíblica dos santos.
13. Quando reprovados pela luz. Cons. Jo. 3: 19-21; I Jo. 1:5-7.
14. Pelo que diz. A citação que se segue é difícil de ser identificada. É possível que seja uma combinação de diversas e diferentes referências (cons. Is. 26:19; 60:1).

D. A Caminhada Sábia. 5:15 – 6:9.
A seguir o apóstolo descreve como a vida do crente deve ser circunspecta. Ele prescreve aos efésios que se encham do Espírito Santo e mostra-lhes o resultado disso nos relacionamentos práticos da vida.

1) Sendo Circunspectos. 5:15-17.
Uma caminhada cuidadosa depende de sabedoria, a qual só pode vir do conhecimento da vontade do Senhor.
15. Portanto, vede. Isto é, considerem isto à luz do que acabamos de falar. Como andais, diligentemente, cuidadosamente.
16. Remindo o tempo. Aproveitando as oportunidades. Porque os dias são maus. Cons. Gl. 1:4.
17. Não vos torneis insensatos. Novamente a ordem de se interromper o que já está em progresso – parem de ser tolos. Mas. Forte adversativa no grego (alla).

2) Sendo Cheios do Espírito Santo. 5:18 – 6:9.
Nenhum crente em Cristo jamais recebeu ordem de dar habitação ao Espírito. A habitação dEle é certa e permanente (Ao. 14:16, 17). Nenhum crente tem ordem de ser batizado com o Espírito. Isso já foi feito (I Co. 12: 13). Mas os crentes têm ordem de serem cheios do Espírito. Portanto há uma responsabilidade individual: há condições a serem cumpridas se e j_ sermos experimentar o controle do Espírito em nossas vidas.
18. E não vos embriagueis com vinho. As Escrituras advertem repetidas vezes contra o álcool (cons. Prov. 23:31).
Mas enchei-vos do Espírito. Como na maior parte dos contrastes, há alguns pontos de comparação. Uma pessoa intoxicada com vinho age de maneira fora do natural no que é mau; uma pessoa cheia do Espírito Santo age fora do natural no que é bom. Compare com o que se disse dos apóstolos no dia de Pentecostes. (Atos 2: 13).
Enchei-vos do Espírito. Continuem se enchendo; encham-se Espírito continuamente. Um crente não pode obter mais do Espírito Santo porque Ele já habita a vida do crente em toda a Sua plenitude. Mas o Espírito Santo pode obter mais do crente, isto é, Ele pode exercer completo controle da vida que Lhe é submissa.

a) Regozijo e Ação de Graças. 5:19,20.
Uma das evidências da plenitude do Espírito Santo é aquela exuberante que exibe regozijo e contínua ação de graças a Deus.
19. Falando entre vós. O resultado da plenitude do Espírito é o louvor e a ação de graças, como também, a submissão nos relacionamentos comuns da vida (vs. 19-21). Salmos. Esta palavra costuma indicar hinos com acompanhamento instrumental, como também o particípio traduzido para entoando (psalontes). De coração ao Senhor. Algumas pessoas não têm a capacidade de cantar audivelmente. Mas mesmo essas, se estiverem cheias do Espírito, estarão cantando com seus corações.
20. Dando sempre graças. Sem limite de tempo (cons. I Ts. 5:18). Por tudo. Sem limite de extensão. Alguns o restringem às bênçãos mencionadas na epístola, mas parece-nos melhor aceitá-lo num sentido mais amplo (cons. Rm. 8:28).

b) Submissão nos Relacionamentos. 5:21 – 6:9.
Outro resultado da plenitude do Espírito, além do louvor e da ação de graças, é a submissão. Esta é uma declaração sobre o que devemos fazer em nossos relacionamentos. "Em contraste com o egoísmo e -agressividade dos pagãos" (Salmond; cons. I Pe. 5:5).

1) Esposas e Maridos. 5:21-33.
O primeiro relacionamento humano mencionado, também o mais íntimo, no qual a plenitude do Espírito Santo deve ser manifesta, é o relacionamento conjugal.
21. Uns aos outros. Observe a mutualidade desta submissão. No temor de Cristo. O N.T., como também o V.T. falam do temor de Deus – isto é, uma reverência para com Ele que a pessoa tem ao agradá-lO (cons. II Co. 5:11).
22. Agora o apóstolo mostra o resultado dessa submissão mútua nos três relacionamentos mais comuns da vida – casamento, família e emprego. As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido. Esta passagem é uma expressão do ideal divino para o casamento. O relacionamento do casamento foi realizado por Ele como símbolo do relacionamento espiritual entre Cristo e a Igreja. O apóstolo destaca isso no versículo 32.
23. Porque o marido é o cabeça. O motivo dessa sujeição da esposa encontra-se nesse relacionamento que Deus ordenou.
24. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo. Mesmo havendo diferença entre a posição do marido para com a esposa e de Cristo para com a Igreja, isto não vem afetar a posição de cabeça que o marido tem com a para esposa.
25. Maridos, amai vossa mulher. As obrigações não são simplesmente unilaterais. A responsabilidade do marido é tão constrangedora quanto a da esposa. Esta não é uma referência ao amor normal do marido, que não necessitaria ser ordenado, mas ao amor volitivo que brota de Deus e assemelha-se ao Seu próprio amor. Em contraste com o desejo sexual normal, que por sua natureza é egoísta, este amor é altruísta. Como também Cristo amou a igreja. Embora os maridos humanos jamais possam alcançar esse grau de amor que Cristo manifestou, são exortados a demonstrarem o mesmo tipo de amor, que assim se prova, a si mesmo se entregou por ela.
26. Para que a santificasse, tendo-a purificado. Esse foi o seu propósito quando se entregou para morrer pela Igreja. Por meio da lavagem de água, pela palavra. Provavelmente água e palavra foram usadas como sinônimos. Certamente não pode ser uma referência ao batismo ou à regeneração batismal. Assim como a água lava o corpo, a Palavra de Deus lava o coração (cons. Ez. 36:27).
27. Para a apresentar. O principal objetivo porque Cristo Se entregou. A palavra santificasse mostra o objetivo imediato (cons. II Co. 11:2). Igreja gloriosa. O adjetivo é predicativo e não atributivo; isto é, para que Ele pudesse apresentar a igreja como gloriosa. Sem mácula. Explicação mais ampla da palavra gloriosa na descrição da "noiva" de Cristo.
28. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Isto é, como se fosse seu próprio corpo. Amor natural, não simplesmente senso de dever. Deus disse. "Tornando-se os dois uma só carne" (Gn. 2: 24).
29. Porque ninguém jamais. O motivo da declaração anterior.
30. Porque somos membros do seu corpo. O pensamento muda de lugar constantemente entre o relacionamento conjugal e o relacionamento entre Cristo e a Igreja.
31. Eis por que. Uma livre citação de Gn. 2:24. Estipula a base bíblica para o casamento como natural resultado da criação da mulher. Os laços matrimoniais são mais fortes do que os existentes entre pais e filhos, estabelecendo o relacionamento íntimo que as Escrituras chamam de unidade – melhor do que união.
32. Grande é este mistério. Isto é, embora a explicação do significado do relacionamento conjugal fosse insinuado no V.T. (cons. Cantares de Salomão), não foi claramente revelado até que o N.T. foi dado. Paulo dirige nossos pensamentos levando-os da união do casamento propriamente dita, para aquilo que ela simboliza.

33. Resumo da submissão mútua que Deus espera no relacionamento como resultado normal da plenitude do Espírito Santo.



Interpretação de Efésios 4





II. A Conduta do Crente no Mundo. 4:1 – 6:24.
Efésios 4
Interpretação de Efésios 4
A. A Caminhada Digna. 4:1-16.
Deus sempre une doutrina com prática, ensinamentos e os resultados práticos dos ensinamentos. Em Ef. 1-3 Ele nos falou das riquezas da Sua graça e das riquezas da Sua glória por meio de Jesus Cristo. Agora Ele nos exorta a vivermos de maneira digna neste mundo.
1) A Unidade do Espírito. 4:1-6.
Deus realizou uma unidade maravilhosa que os crentes têm a responsabilidade de manter na experiência.
1. Pois. Como geralmente acontece nas epístolas de Paulo, esta exortação está sendo feita com base nos ensinamentos que a precederam (cons. Rm. 12: 1). O prisioneiro no Senhor. Isto é. o prisioneiro por amor do Senhor (cons. Ef. 3:1). Rogo-vos. Esta palavra, que no original se encontra realmente no começo, para maior ênfase, é uma súplica, um encorajamento. Deus, é claro, tem o direito de ordenar e exigir, mas Ele, em lugar disso, roga, suplica, porque Ele quer um serviço prestado por submissão, de boa-vontade.
Que andeis de modo digno. A palavra andeis tem sido usada muitas vezes nas Escrituras em relação à nossa conduta, nosso comportamento, nosso modo de vida (cons. Introdução). De modo digno. Não para que mereçamos o que Deus fez, mas para andarmos de modo condizente com o que Ele fez por nós. Não nos tornamos cristãos vivendo a vida cristã; antes, somos exortados a vivermos uma vida cristã porque somos cristãos, para que as nossas vidas estejam de acordo com a nossa posição em Cristo (cons. Fp. 1:27). Vocação. Nossa vocação está descrita como uma vocação celeste e santa (cons. Hb. 3:1; II Tm. 1:9).
2. Humildade mansidão. Essas virtudes só podem ser produzidas pelo Espírito de Deus que habita no crente. São totalmente estranhas à carne e desafortunadamente raras na vida de muitos cristãos. Humildade implica na idéia de simplicidade; mansidão significa gentileza (veja Trench). Longanimidade é a conservação de uma atitude tranqüila diante da adversidade e perseguição.
3. Esforçando-nos diligentemente por preservar. Deus sabia que isto não seria sempre possível porque uma pessoa sozinha não pode manter a união. Observe que Paulo não exige que o cristão faça a unidade, pois só Deus pode criar o laço; mas é responsabilidade dos crentes o esforço de resguardá-lo.
Esta é a unidade do Espírito. Isto é, a unidade que foi moldada pelo próprio Espírito Santo, e o Seu laço ou ligamento é de paz.
4. Somente um corpo. O organismo composto do Senhor Jesus Cristo na qualidade de Cabeça e de todos os crentes nEle. É a nova criação, o corpo mencionado antes na epístola (1:23).
Somente . . . um Espírito. O Espírito Santo mesmo é a vida que impregna cada parte do corpo.
5. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Observe a ênfase que foi dada à unidade em todo o trecho. O batismo é sem dúvida o batismo do Espírito Santo – o ministério do Espírito pelo qual fomos colocados no corpo de Cristo (I Co. 12: 13).
6. As três Pessoas da Divindade são mencionadas nestes versículos na ordem inversa da que geralmente é dada: somente ... um Espírito (v. 4); um só Senhor (v. 5), isto é, o Senhor Jesus; um só Deus e Pai (v. 6). O qual é sobre todos, etc. Temos aqui um relacionamento triplo de um só Deus e Pai com todos os que são Seus. Ele é sobre todos. Isto expressa Sua soberania, Sua transcendência. Ele age por meio de todos, "expressando a presença permeadora, animadora e controladora desse um só Deus e Pai" (Salmond). E está em todos. Esta é a constante habitação dEle em Seu povo – todas as Pessoas do Deus triúno, segundo diversas passagens das Escrituras, habitam o crente.
2) O Dom de Cristo. 4: 7-12.
O Senhor que subiu ao céu deu dons à Sua Igreja para edificá-la.
7. A cada um de nós. Isto se limita aos crentes nEle. A graça foi concedida. Não graça salvadora, mas graça como um dom concedido aos crentes – favor de Deus, imerecido e irrecompensável. Segundo a proporção. Uma medida que é imensurável.
8. Por isso diz. A citação é do Sl. 68:18. A conexão não está bastante clara. Mas diz que o Senhor Jesus, na Sua ascensão, levou cativo o cativeiro; isto é, Ele capturou aquilo que nos tinha capturado, e anulou o seu poder.
E concedeu dons. Em algumas passagens das Escrituras menciona-se dons que o Senhor deu a indivíduos; por exemplo, I Co. 12. Aqui os dons são aquelas pessoas com diversas capacidades, as quais Ele deu à igreja.
9. O apóstolo, comentando a citação, menciona que o Senhor Jesus desceu primeiro, antes de subir. Alguns aceitam isto como uma referência feita à morte de Cristo e à Sua assim chamada visita ao Hades. Parece mais provável, entretanto, que é simplesmente uma referência à Sua vinda do céu. Ele desceu às regiões inferiores da terra – genitivo de aposição (cons. Jo. 3: 13).
10. Acima de todos os céus. Cons. Hb. 4: 14.
11. E ele mesmo concedeu uns. Os diversos tipos mencionados são dons de Cristo à igreja.
Apóstolos. Foi um ofício especial nos primórdios da igreja. Os apóstolos não tiveram sucessores. Executaram uma obra única para o Senhor Jesus (cons. 2:20).
Profetas. O profeta era um porta-voz de Deus. Conforme geralmente usado nas Escrituras, este termo se refere a alguém que recebeu uma revelação direta, a qual deve ser transmitida aos homens (cons. 2:20). No sentido mais restrito do termo, este ofício foi também temporário na igreja, pois não houve mais profetas no sentido técnico depois de completado o N.T.
Evangelistas. Aqueles que proclamam as boas novas – aqueles que pregam o Evangelho.
Pastores e mestres. Esses does termos estão juntos. A primeira palavra significa aquele que cuida das ovelhas. Aqueles que são pastores do rebanho também são doutores (professores). O verdadeiro pastor deve proceder em um ministério de pregação expositiva da Palavra.
12. Ao aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço. Esses dons foram dados por Deus à Igreja para o aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço. Isto é, é do interesse de todos os santos – não de alguns poucos líderes apenas – executar a obra do ministério. Os líderes têm o propósito de aperfeiçoar ou equipar os crentes na execução desta obra. Muitas igrejas locais, hoje em dia, não seguem esta idéia do N.T. É prática comum deixar que o pastor exerça o ministério. Às vezes o pastor acha que, temporariamente, é mais fácil ele mesmo fazer a obra do que treinar outros para fazê-la. Mas sua tarefa é treinar obreiros, e a longo prazo seu ministério será mais eficiente se o fizer.
3) A Unidade da Fé e do Conhecimento. 4:13-16.
A unidade dos crentes em Cristo tende para uma unidade na fé e no conhecimento.
13. A unidade da fé. A fé em si mesma já é uma porção limitada da verdade. Ao considerarmos isto, somos conseqüentemente unidos uns aos outros. À perfeita varonilidade. Não uma referência ao crente individual, mas ao homem composto; isto é, ao corpo do qual Cristo é a Cabeça.
14. Para que não mais sejamos como meninos. Literalmente, criancinhas. Levados ao redor. Levados pelo vento, o qual foi usado aqui de modo figurado, naturalmente – vento de doutrina.
Pela artimanha dos homens. A palavra que foi traduzida para artimanha significa originalmente jogo de dados. Passou, então, a significar trapaça de todo tipo, por causa das muitas trapaças usadas para se roubar no jogo dos dados. A única maneira de estarmos mantos para perceber o erro é pelo conhecimento da verdade; por isso devemos chegar ao conhecimento do Filho de Deus, à maturidade cristã. Una pessoa não precisa estudar cada nota falsificada a fim de reconhecer que uma determinada nota está falsificada. Só precisa conhecer o artigo genuíno.
15. Seguindo a verdade em amor. É possível seguir a verdade e não fazê-lo em amor. Literalmente, apegando-se à verdade.
Cresçamos em tudo naquele. Deus quer que sejamos maduros ou adultos. Temos uma Cabeça absolutamente perfeita, o próprio Cristo.
16. Observe a perfeição do corpo. Como o corpo humano foi intricadamente ajustado! Por isso é uma ilustração adequada do corpo de Cristo. Houve quem dissesse que nem todos podem ser os membros maiores, mas as juntas também são muito importantes. Todas as partes trabalham juntas (cons. I Co. 12; Rm. 12).
B. A Caminhada Diferente. 4:17-32.
As Escrituras, tanto no Velho como no Novo Testamento, enfatizam que o povo de Deus tem de ser diferente do povo do mundo.
1) Descrição da Caminhada dos Gentios. 4:17-19.
Os gentios são "ovelhas desgarradas" (I Pe. 2:25; cons. Is. 53:1). Os crentes têm um grande e bom Pastor para seguirem.
17. Isto, portanto, digo. A caminhada cristã foi descrita de diversos modos nesta passagem. Temos aqui uma descrição negativa. Testifico. Protesto, exorto, ou imploro. Não mais andeis. Agora suas vidas têm de ser diferentes. Como andam também os outros gentios. (E.R.C.). Esse andar foi descrito em 2:2. A maior parte dos efésios tinham antecedentes gentios. Alguns manuscritos não trazem a palavra outros. Portanto, que não mais andeis como também andam os gentios. Diante de Deus, os crentes no Senhor Jesus Cristo já não são mais nem judeus, nem gentios (cons. I Co. 10:32). Na vaidade dos seus próprios pensamentos. A palavra que foi usada para vaidade parece significar perversidade ou depravação nesta instância.
18. Obscurecidos de entendimento. Cons. II Co. 4:4. Alheios à vida de Deus. Cons. 2: 12. Dureza dos seus corações. Literalmente, percepção obtusa (cons. Mc. 3: 5).
19. Tornado insensíveis. Cons. I Tm. 4:2. Impureza. Não apenas indulgência com a impureza, mas também um desejo cúpido de prosseguir nela. Uma declaração pitoresca da natureza insaciável do desejo pecaminoso.
2) O Despojar do Velho e o Revestir do Novo. 4:20-24.
A Vida Cristã é comparada com o tirar de uma roupa para vestir outra. Não é uma referência à nossa posição em Cristo, mas à nossa experiência. É possível ser um novo homem em Cristo Jesus e continuar vivendo como o "homem velho", isto é, continuar usando a roupa do "homem velho".
20. Mas. Um contraste com o precedente. Não foi assim que aprendestes a Cristo. Essa é a mais importante de todas as matérias que alguém pode estudar.
21. Se é que de fato o tendes ouvido, e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus. Aquilo que eles aprenderam depois de ouvirem sobre o Senhor Jesus Cristo deveria tê-los feito melhorar suas vidas, pois cristãos devem agir como cristãos, não como os pagãos que não são cristãos.
22. Quanto ao trato passado . . . do velho homem. Isto é, a natureza adâmica, aquilo que somos em nós mesmos. Que se corrompe segundo as concupiscências do engano. As Escrituras ensinam que na velha natureza não existe nada de bom (cons. Rm. 7:18).
23. E vos renoveis. Cons. Rm. 12:2.
24. E vos revistais do novo homem. Relacionado com o precedente, o produto do novo nascimento. Com referência ao conflito entre a natureza velha e a nova, veja Rm. 7 e Gl. 5:16, 17. Segundo Deus. De acordo com Deus é o Criador do novo homem.
3) Aplicação Prática. 4:25-32.
Em Sua Palavra, Deus nunca ensina a verdade de maneira abstrata, mas sempre faz uma aplicação concreta.
25. Por isso. Com base no precedente; isto é, nossa posição em Cristo. Deixando a mentira. Observe o negativo e o positivo. Não basta simplesmente nos abstermos da mentira; é preciso também contar a verdade (cons. Zc. 8:16). Somos membros. Não apenas membros de Cristo, mas uns dos outros (Rm. 12:5).
26. Irai-vos, e não pequeis. Há uma coisa chamada de ira justa, embora o termo tenha sido muito abusado. O apóstolo diz que se você está irado, certifique-se de que é o tipo de ira que não é pecaminoso.
Não se ponha o sol sobre a vossa ira. "Até mesmo a ira justa quando sofre tolerância excessiva transforma-se muito facilmente em pecado" (Salmond).
27. Não deis lugar ao diabo. Cons. II Co. 2:10, 11; Ef. 6:10 e segs.
28. Antes trabalhe. O cristão, além de não dever roubar, deve também trabalhar pelo bem-estar seu e de sua prática. As Escrituras recomendam o trabalho honesto (cons. I Ts. 4: 11. 12). Na verdade, o apóstolo afirma que aquele que não quiser trabalhar não deve comer (II Ts. 3: 10). Acudir ao necessitado. Eis aí a base da genuína caridade cristã.
29. Nenhuma palavra torpe. A palavra traduzida para torpe significava originalmente podre ou pútrido. Vemos novamente a enfatização do positivo – unicamente a que for boa.
30. E não entristeçais o Espírito de Deus. Aquilo que entristece o Espírito Santo é pecado. O remédio é a confissão (cons. I Jo. 1:9). Embora o Espírito Santo possa ser entristecido, Ele jamais abandona o crente. Ele é o nosso selo. Fomos selados por Ele para o dia da redenção (cons. Ef. 1:13). Ele é a garantia de que a nossa redenção será completada.
31. Alguns dos pecados que entristecem o Espírito Santo são agora particularizados. Embora alguns cristãos só classificariam de pecados aquelas iniquidades grosseiras que até mesmo o mundo reconhece como erro. Deus menciona coisas da mente e do espírito, além daquelas relacionadas com o corpo.
32. O tema do despojar e do revestir destaca-se através de toda a seção. Viver a vida cristã não é simplesmente obedecer a uma lista de proibições; é cultivar virtudes positivas.
Sede uns para com os outros benignos. O verbo aqui significa continuar revelando-se benigno. Compassivos. A tradução inglesa é muito boa (de coração compassivo). A palavra no original tem sido muito mal interpretada, conforme se vê de sua freqüente tradução, noutras passagens, como entranhas. "Coração" é o certo. No grego clássico essa palavra se refere aos órgãos da parte superior da cavidade do corpo; especificamente o coração, pulmões e fígado, distinguindo-se dos órgãos da cavidade inferior (veja léxico).
Perdoando-vos uns aos outros. A única maneira de sermos capacitados a perdoar é através do perdão que nós mesmos já recebemos por amor a Cristo. Assim como o amor de Deus produz o nosso amor, a nossa tomada de consciência do perdão de Deus produz o nosso perdão aos outros (cons. I Jo. 4: 19).

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